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Justiça revalida lista de votantes da prévia do PT, no Recife

Decisão não afeta anulação das prévias, determinada pela Executiva do partido, em São Paulo

Maria Luiza Borges
Maria Luiza Borges
Publicado em 19/06/2012 às 23:16
Ricardo Labastier/JC Imagem
Decisão não afeta anulação das prévias, determinada pela Executiva do partido, em São Paulo - Ricardo Labastier/JC Imagem
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O juiz Francisco Julião de Oliveira Sobrinho, da Terceira Vara Cívil do Recife, publicou ontem decisão que revalida a lista de votantes da prévia do PT para a Prefeitura do Recife, ocorrida em 20 de maio. A lista foi motivo de questionamento antes mesmo da realização do pleito, que teve como concorrentes o atual prefeito do Recife, João da Costa, e o deputado federal Maurício Rands. João da Costa venceu a prévia com pouco mais de 51% dos votos, mas o certame foi anulado pela Executiva Nacional do PT, em São Paulo, que acabou por realizar uma intervenção branca no Diretório Municipal, ao impor como candidato o senador Humberto Costa.

Na prática, a decisão do juiz não obriga a validação da prévia, mas traz um elemento novo para o pedido feito pelo prefeito João da Costa ao Diretório Nacional, instância superior à Executiva que anulou a prévia. João da Costa pede para ser considerado candidato no Recife. 

O magistrado decidiu manter a decisão liminar concedida há exatamente um mês pelo colega Nilson Nery, considerando que a lista de 33 mil filiados aptos a votar, apresentada pela executiva municipal estava correta. 

 

Na prática, a decisão judicial não tem nenhuma influência política e o senador permanece como o pré-candidato do partido nas eleições de outubro. “O juiz não validou a prévia e nem muito menos essa decisão interfere nas instâncias partidárias. Nada mudou”, assegurou o advogado do senador, Eduardo Coelho.

O processo movido na véspera da prévia, que aconteceu no dia 20 de maio, voltou à cena política porque o ex-presidente do PT, Dilson Peixoto, entrou nos autos como terceira parte interessada, pedindo a anulação do processo, sob o argumento de que a prévia já havia sido anulada pelo partido. 

O pedido, no entanto, também foi negado e a ação movida pelos oito presidentes de zonais ainda terá o seu mérito julgado. Dilson Peixoto também pode recorrer da decisão num prazo de 10 dias. 

O acontecimento, porém, constrange o Diretório Nacional, que após dois dias de auditoria apontou falhas na condução do processo. Também se coloca como mais um empecilho para a malfadada unidade partidária, já que o secretário estadual de governo, Maurício Rands, o ex-deputado João Paulo e o próprio Humberto Costa afirmaram que a vitória por 533 votos de João da Costa na primária havia sido fruto de uma “fraude”. “Fico feliz que tenha fica claro que não houve nenhuma fraude. Vamos agora aguardar o julgamento do recurso. Mas ficou provado o que eu sempre disse, que ganhei nas urnas, pela vontade dos filiados”, comemorou o prefeito.

O diretório nacional petista, contudo, não costuma ver com bons olhos filiados que buscam soluções para imbróglios partidários na justiça. 

Ontem, Francisco Rocha, o Rochinha, dirigente histórico do partido condenou o posicionamento do prefeito. “Se fosse ele também não aceitaria a situação política colocada e iria recorrer. Mas nas instâncias partidárias, nunca no judiciário”, ponderou. A expectativa do dirigente é que 90% dos 84 membros do Diretório Nacional compareça segunda-feira à sede do partido em Brasília para o julgamento do prefeito. 

 

 

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