Partidos

A luta para herdar espólios eleitorais

Aspirantes à Câmara estão de olho em eleitores de ex-deputados que não serão candidatos, casos de Ana Arraes e Maurício Rands. E tem Sérgio Guerra, que avalia se concorre

Márcio Didier
Márcio Didier
Publicado em 03/03/2013 às 11:07
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Em política, há uma máxima – nunca comprovada – que diz que “voto não se transfere”, conclusão que, na prática, é o contraditório da velha, comum e conservadora política nacional: a de distribuir e herdar votos. A história demonstra que, em política, nada é absoluto e o resultado não se repete: pode-se transferir votos em uma eleição, pode-se perder tudo em outra. Se a sabedoria manda, segundo o provérbio, que quem for coxo parta cedo, nos bastidores políticos os postulante de 2014 já especulam, articulam-se e esperam pelos votos de dois ex-deputados federais, que renunciaram ao mandato, e um terceiro que pode não disputar a reeleição em razão da saúde frágil. Nos cochichos e corredores da Assembleia Legislativa, as especulações e contas tentam decifrar uma pergunta: para quais pretendentes irão os votos de 2010 de Ana Arraes (PSB), Maurício Rands (ex-PT) e, talvez, Sérgio Guerra (PSDB)?

Eleita pela Câmara Federal, em 2011, conselheira do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Arraes, mãe do governador Eduardo Campos (PSB), tem 387 mil votos represados, aguardando os herdeiros no PSB e aliados, enquanto o magoado ex-petista Rands, que abandonou a política, deixou 126 mil votos órfãos. Como são considerados “de opinião”, a suposição é de que a maioria não receberá influência do PT. Quanto ao presidente nacional tucano, Sérgio Guerra, seus 167 mil votos poderão inflar o número de candidatos a deputado federal pelo PSDB. Na Rádio Corredor, a emissora virtual dos bastidores da Assembleia, a aposta é que a eleição de 2014 para a Câmara deve ser ‘cabeça a cabeça’, devido à quantidade de candidatos com estrutura. Sendo assim, herdar votos pode ser o diferencial, no final, para a eleição de alguns.

Sem herdeiro político natural, o entendimento dos bastidores é que os votos de Ana Arraes estão sob o controle do filho Eduardo, como capital eleitoral para as composições de 2014. “São 387 mil votos. É muito voto. Voto da estrutura, de prefeitos e da liderança tradicional. Está na mão de Eduardo”, especula um governista, que também está de olho na Câmara Federal. No rol de favoritos a herdeiros estão o deputado estadual João Fernando Coutinho e os secretários da Casa Civil, Tadeu Alencar, e da Agricultura, Ranilson Ramos – caso não seja indicado para o TCE –, os três socialistas. Cotados estão também a ex-secretária estadual da Juventude e deputada, Raquel Lyra (PSB), filha do vice-governador João Lyra Neto (PDT), e o prefeito reeleito de Timbaúba, Marinaldo Rosendo (PSB). “Há especulações sobre Renata Campos (primeira-dama), mas ela só será candidata se Eduardo for para o Senado”, diz um parlamentar da oposição. “Renata não quer disputar mandato, quer continuar como primeira-dama (do País)”, detalha outro da base do governo.

Para os especuladores, pela votação tão grande, os votos de Ana Arraes devem ser pulverizados. Com tanto capital, mesmo menos cotados estão entrando na lista, como o presidente do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe), Luciano Vasquez, e até o secretário de Turismo do Recife, Felipe Carreras. “Ela teve votos para eleger quatro federais. Com tantos votos, deve auxiliar também quem tiver dificuldade de se eleger, inclusive de outros partidos, como André de Paula (ex-deputado, PSD). A chapa majoritária deve passar por uma composição e Eduardo é muito pragmático”, analisa um neo-eduardista.

Fiel a Eduardo e filho de um histórico arraesista, João Fernando Coutinho vai entrar como um dos favoritos para uma das 25 vagas de Pernambuco na Câmara. Em 2010, teve 72 mil votos para a Assembleia, 40 mil dos quais em dobradinha com Ana Arraes para federal. “Os votos de Ana, o PSB deve definir. O próprio governador, em não sendo candidato à Presidência ou ao Senado, pode disputar. A herança de Ana vai depender muito da definição do governador”, admite um socialista. “Os votos de Ana pertencem a Eduardo. É ele quem vai definir (os herdeiros). Foram votos trabalhados pelo Palácio”, revela enfático um aliado. “Metade dos votos de Ana credita-se como uma homenagem (dos eleitores) à mãe do governador. Eduardo tem, então, para dividir mesmo só 200 mil votos”, minimiza outro aliado, que disputará a Câmara.

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