Rumo a 2014

As sucessões de Eduardo

Ao mesmo tempo em que mostra engajamento no projeto nacional, governador trata nomes de possíveis candidatos a sucedê-lo

Márcio Didier
Márcio Didier
Publicado em 03/03/2013 às 10:39
Foto: Clemilson Campos / JC Imagem
Ao mesmo tempo em que mostra engajamento no projeto nacional, governador trata nomes de possíveis candidatos a sucedê-lo - Foto: Clemilson Campos / JC Imagem
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Se havia dúvidas de que a campanha eleitoral já foi deflagrada, a troca de ataques entre PT, PSB e PSDB, na última semana, serviu para enterrá-las. Em Pernambuco, devido à possibilidade do governador Eduardo Campos (PSB) lançar sua candidatura ao Planalto, os debates sobre a sucessão presidencial e estadual caminham juntos. Este último de forma discreta, mas na mesma velocidade que o primeiro. Mesmo adotando a estratégia de não tocar no assunto nem com aliados mais próximos, Eduardo dedica às articulações para a eleição estadual a mesma preocupação e cautela com que trata seu projeto nacional. Sabe que um depende do outro.

Numa aliança com 14 partidos, será preciso uma “ginástica” para conciliar interesses e evitar “baixas” no palanque. Por isso, adotou a tática do silêncio, obedecida por seus seguidores, que evitam falar abertamente sobre a disputa para o governo. Apesar de propagar o discurso do consenso, as negociações para os dois últimos pleitos deixaram feridas abertas. É o caso do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), que teve sua candidatura ao Senado rifada em 2010, e o desejo concorrer, em 2012, ao comando do Recife, para onde transferiu o título um ano antes, cortado na raiz.

Dentro do PSB, seu nome é considerado “carta fora do baralho” para suceder o governador e, não à toa, vieram à tona especulações sobre sua possível ida para o PT, negada por ele na sexta-feira. Assim como FBC, o apoio à candidatura do atual vice-governador, João Lyra (PDT), é encarada com incredulidade no meio socialista. No PSB, os nomes “lembrados” são os dos secretários Tadeu Alencar (Casa Civil), Paulo Câmara (Administração) e Antônio Figueira (Saúde), além do prefeito do Recife, Geraldo Julio.

Mas, contra o novo gestor, pesa não só o risco do desgaste com a interrupção do mandato recém-conquistado como, principalmente, o fato de ter que entregar o comando da capital para o PCdoB, do vice Luciano Siqueira. Há ainda um entrave nacional. Socialistas consideram improvável que, diante de uma candidatura presidencial de Eduardo, a cúpula do PCdoB, dono do ministério dos Esportes, largue a base da presidente Dilma Rousseff para apoiar o governador.

Sendo assim, uma alternativa de perfil semelhante ao de Geraldo seria Paulo Câmara. Ele é auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e responsável pelo controle da máquina governamental e das metas de arrecadação e despesa do Estado. Coube a ele os cálculos para a estruturação do recém-criado Fundo de Desenvolvimento Municipal (FDM), que afagou os prefeitos pernambucanos. Casado com uma prima de Eduardo, Câmara ainda pertence ao círculo familiar do socialista, mas, a despeito da cotação “alta”, não sabe se quer atuar na linha de frente da política.

Já Tadeu Alencar é tido, nos bastidores, como um dos mais “empolgados” para assumir a “missão”. De procurador-geral do Estado tornou-se chefe da Casa Civil e passou a desempenhar a função de interlocutor político do governo. Mas sua ascensão política gerou “ciúmes” entre os socialistas antigos, o que, na avaliação de alguns correligionários, pode dificultar seu voo.

Longe dos holofotes, o nome de Antônio Figueira passou a ser ventilado por sua proximidade com o governador. Ex-presidente do Imip, ele nunca disputou cargos políticos, mas já se envolveu em campanhas do PSB e estaria disposto a ocupar um cargo eletivo a partir de 2014. Se não for convocado para suceder Eduardo, pode pleitear uma vaga na Câmara Federal.

Para além do círculo socialista, interlocutores do governador ainda apostam numa solução externa: o atual ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio. Antes de assumir o cargo, por indicação do ex-presidente Lula, era deputado pelo PTB, mas ainda se faz presente nas rodas políticas do Estado. Sua possível candidatura, porém, o colocaria em confronto com o primo, o senador Armando Monteiro Neto (PTB), obstinado a conquistar o Executivo estadual na próxima eleição.

 

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