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Kardec, de office-boy a prefeito no Agreste

O recém-eleito prefeito de Vertentes entrou na prefeitura da cidade com apenas 13 anos e foi surpreendido ao ser ?convocado? para disputar o cargo máximo da gestão

Márcio Didier
Márcio Didier
Publicado em 03/03/2013 às 11:21
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De office-boy da prefeitura a prefeito. Assim pode ser resumida a trajetória do atual prefeito de Vertentes, no Agreste, Allan Kardec (PSDB). Quando tinha apenas 13 anos de idade, ele foi convidado pelo secretário de Administração na época, Ivo Siqueira de Miranda, que era também diretor da escola em que Kardec estudava. Devido às boas notas do garoto, que estavam entre as mais altas do Ginásio e Escola Normal Maciel Pinheiro, ele ofereceu-lhe o emprego, onde Kardec exerceria não só a função de office-boy como ajudaria na contabilidade da prefeitura.

De lá para cá, Kardec foi promovido diversas vezes e aprendeu na prática como tratar da administração, contabilidade e outras atividades burocráticas da prefeitura. “Hoje se faz tudo no computador. Antes, era tudo na mão e na máquina de datilografia”, explicou. Assim, foi sendo promovido até chegar ao cargo de secretário de Finanças. Até que, durante a campanha de 2012, enquanto muitos nomes pleiteavam conseguir o apoio do então prefeito Roberto Leal (PSDB) para ser seu sucessor, foi com surpresa que Kardec recebeu o convite para ser o candidato do partido.

“Eu nunca pensei em me candidatar. O então prefeito Romero Leal achou que eu tinha o perfil para dar continuidade. Me chamou para conversar e eu fiquei surpreso, achei que ele estava de brincadeira. Relutei, mas acabei aceitando”, contou, afirmando ter achado que iria encontrar dificuldades com a população por ter um jeito “meio introvertido, meio calado”, como ele mesmo define. “Geralmente no interior os candidatos são pessoas de família de tradição política, e eu não tenho nenhuma tradição”, conta o prefeito, filho de um artesão e de uma dona de casa.

Kardec garantiu nunca ter imaginado que um dia se tornaria prefeito. Dia desses, foi lembrado por um colega dos tempos da escola de que já havia falado na adolescência, como brincadeira, que chegaria a tal posto. “Chegou um colega meu, Jorge, que estudou comigo em Surubim e disse: ‘Mas rapaz, tu te lembras o que dissestes para mim? Que um dia ia ser prefeito?’ Eu não me lembrava; foi ele que me lembrou. Nessa época, eu devia ter uns 15 ou 16 anos”, contou.

Durante toda a sua vida, ele sempre trabalhou na prefeitura, exceto entre 1993 e 1996, quando passou a trabalhar na gestão de Frei Miguelinho, município vizinho. Por isso, enquanto outros prefeitos já tiveram uma trajetória traçada no meio político, para ele é como ter sido “promovido” na empresa onde ele construiu sua “carreira”. A diferença é que para chegar ao posto máximo não bastam as decisões internas, e o “chefe” que o contratou foi o povo.

Não a toa ele se delicia ao descrever a sua sensação de sentar na cadeira de prefeito. “É boa! (risos) A sensação boa de quem conseguiu o posto máximo de uma empresa, o órgão no qual se começou a trabalhar. Mas, por outro lado, sinto o peso da responsabilidade nos ombros. Por mais que a gente estivesse envolvido, agora a caneta está na mão da gente. Não pode errar. Vinte e quatro horas por dia, tem que estar ligado. É uma coisa de que gosto, um trabalho que você pensa: ‘Vou entrar para a história! Entrar para a galeria dos prefeitos da cidade!’”, diverte-se.

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