ENTREVISTA

"Erros formais são vistos no País inteiro", diz José Queiroz

Prefeito de Caruaru, principal cidade do Agreste, José Queiroz faz críticas ao vice-governador João Lyra (PDT), com quem não se bica e comenta a possível criação de uma CPI na Câmara dos Vereadores para investigar denúncias da CGU, publicadas neste JC

Pedro Romero
Pedro Romero
Publicado em 01/09/2013 às 6:23
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Prefeito reeleito de Caruaru, uma das cidades mais importantes de Pernambuco, considerada vital nas eleições para o governo do Estado em 2014, José Queiroz (PDT) tem tido destaque na imprensa nas últimas semanas. Sua gestão foi alvo de um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), alvo de uma série deste JC, que pode resultar na criação de uma comissão de investigação na Câmara de Vereadores, com quem ele tem tido uma relação conturbada. O gestor também fez críticas diretas ao vice-governador João Lyra Neto (PDT), com quem não se bica faz tempo. Nesta entrevista, o líder pedetista fala sobre esses e outros assuntos.

JORNAL DO COMMERCIO – Como o senhor analisa o relatório feito pela Corregedoria-Geral da União sobre a aplicação de recursos federais pela Prefeitura de Caruaru?
JOSÉ QUEIROZ –
Eu até nem entendi porque ressuscitaram o cadáver. Em se tratando de um relatório de 2011, exigiria do prefeito respostas para a Controladoria. E isso aconteceu. Uma prova de que trata-se de um relatório em avaliação, pelas respostas que são dadas, é que, em 2012, a eleição (municipal) passou e ninguém tocou nesse assunto. Se fosse valioso, se trouxesse coisas que merecessem maior investigação, seria prato cheio para os adversários. O que não foi. Tenho 40 anos de atuação na vida pública, todos eles exercidos com honra, com seriedade. Infelizmente, tenho que conviver com especulações quanto a coisas passadas, que já foram devidamente explicadas à Controladoria. Se houver desdobramentos, a administração terá que se explicar. Mas não há nada contra o prefeito que possa ensejar questionamentos que atinjam a minha honra. De qualquer forma, os gastos acontecem em secretarias, que têm um ordenador de despesas como responsável, que não é o prefeito. Mas estou amadurecido para conviver com alguns equívocos de julgamento. O tempo é senhor da razão.

JC – O senhor não acha que pode haver erros que possam dar fundamento a alguma denúncia?
JOSÉ QUEIROZ –
Erros formais sempre podem existir. Nunca que comprometam a gestão. Tenho certeza que tudo o que foi feito nas secretarias relacionadas, Educação e Políticas Sociais, está dentro dos padrões da administração pública. Erros formais nós temos no País inteiro, o que interessa é que o que aconteceu em Caruaru foi feito dentro da lisura, da honestidade.

JC – Qual a sua opinião sobre a proposta de alguns vereadores de implantar uma comissão de inquérito da Câmara para investigar o caso?
JOSÉ QUEIROZ –
Não precisa de CPI para que metam o chicote no prefeito, para que caluniem a respeito de fatos da prefeitura, imaginem um relatório da Controladoria-Geral da União. É prato cheio. Mas eu compreendo essa posição da oposição. É uma postura de buscar sempre fatos que possam alcançar a administração. Mas eles não vão conseguir a instalação da CPI e se conseguissem ficariam frustrados porque ela não iria adiante.

JC – Como está a sua relação com a Câmara de Vereadores?
JOSÉ QUEIROZ –
Estabilizada. Insatisfações são coisas naturais na política, acontecem em outras câmaras e em assembleias. São coisas naturais da convivência do Poder Executivo com o Poder Legislativo. O que nós precisamos entender é que o prefeito nem sempre atende toda a sua base. Vivemos num tempo de sacrifícios, de ajustes. E geralmente não temos recursos para atender as demandas das quais os vereadores são interpretes e mensageiros. Mas a gente vai conversando com eles, vai explicando e atendendo na medida do possível. E hoje posso dizer que estamos bem com a base, com a bancada.

JC – O senhor e João Lyra Neto trocaram farpas pela imprensa, em Caruaru. O senhor afirmou, inclusive, que se dependesse do vice-governador, Miriam Lacerda seria hoje a prefeita da cidade. Como anda a relação?
JOSÉ QUEIROZ –
É porque nas entrevistas que eu dei, a imprensa só colocou uma parte, a parte que lhe interessa. Gostaria que tivessem colocado tudo que eu disse. Eu falei que, na eleição passada, se dependesse de João, Miriam era a prefeita. Porque na verdade ele ofereceu combustível aos adversários. Mas eu disse a seguir, que um mês depois, para provar que eu tinha virado a página, no meu compromisso com a Frente Popular, que estava saudando ele em uma rádio de Caruaru. E, em dezembro, eu e Wolney Queiroz estávamos na confraternização natalina da deputada Raquel Lyra (filha de João Lyra). Ou seja, a imprensa só colocou a frase que eu falei sobre a eleição e não completou o raciocínio que era de paz e amor. As colocações que eu fiz eu repito, mas eu tenho um compromisso com o governador e, consequentemente, com quem faz parte do governo representando meu partido.

JC – Como vai ficar se ele assumir o governo e, em seguida, ser candidato à reeleição?
JOSÉ QUEIROZ –
O que temos que analisar é que sou presidente de um colegiado e não posso antecipar a decisão de um colegiado. Evidente que eu tenho que respeitar o que a maioria decidir e, nessa sucessão, o próprio João Lyra já disse, o comando é de Eduardo Campos. Então, eu vou conversar com o governador para saber, dentro do partido, se a gente ajusta a essa posição.

JC – O senhor já disse que luta pela candidatura de Eduardo Campos a presidente. Como está o trabalho de convencimento no seu partido?
JOSÉ QUEIROZ –
Eu disse que para Pernambuco seria muito honroso ter um candidato a presidente da República e que eu levaria esse recado para a instância partidária nacional, mas eu também tenho que ter um limite porque o próprio governador não se coloca como candidato ainda. Ele disse que só coloca essa questão no próximo ano. Então, eu vou deixar para discutir 2014 dentro do partido quando o governador se manifestar.

JC – O senhor já pensa como vai ser a sua sucessão na prefeitura?
JOSÉ QUEIROZ –
É muito cedo ainda. Você veja o exemplo de Eduardo Campos. Ele disse que só discute candidaturas lá para abril ou maio. Eu comecei a minha gestão agora e não tenho porque pensar na sucessão. Está muito cedo, seria precipitar e prejudicar o bom andamento da administração, que vai dar certo. Vamos cuidar da administração aí nós vamos chegar na próxima eleição para dar outra enfiada de votos na oposição.

JC – O que o senhor considera os maiores avanços do seu governo?
JOSÉ QUEIROZ –
A administração está absolutamente ajustada. No momento, estamos fazendo a reforma de oito praças, estamos recuperando unidades de educação e implantando novas. Estamos instalando uma nova concepção de governo, com, por exemplo, a instalação de novos parques. Também temos o orçamento participativo e instalamos um novo espaço multiuso na Cohab. É uma nova concepção de administração. Estamos entregando centros de qualificação profissional e 15 ruas asfaltadas no Centro e a escola de tempo integral do Cedro. É um balanço positivo de organização e estruturação.

JC – Como fica a Feira da Sulanca, vai ser transferida do centro da cidade para outro lugar?
JOSÉ QUEIROZ –
Até o próximo dia 4 vou apresentar uma nova concepção para a feira. Em seguida, vamos fazer uma consulta popular, dentro da feira, só com os sulanqueiros de Caruaru, para ver se concordam com essa concepção. Na hora que houver essa decisão, a gente vai dar a largada para desenvolver o projeto para a mudança da feira. 

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