PT x PSB

Eduardo silencia sobre decisão do PT

Assim como a presidente Dilma, na debandada do PSB da gestão federal, o governador, inicialmente, deixa com um auxiliar a fala sobre a decisão do PT local

Gabriela López
Gabriela López
Publicado em 22/10/2013 às 6:40
Raul Buarque/SEI
Assim como a presidente Dilma, na debandada do PSB da gestão federal, o governador, inicialmente, deixa com um auxiliar a fala sobre a decisão do PT local - FOTO: Raul Buarque/SEI
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O governador e pré-candidato a presidente da República Eduardo Campos (PSB) adotou uma postura protocolar em relação à decisão do PT de entregar cargos nas gestões socialistas de Pernambuco, do Recife e de Paulista. Um dia após a aprovação da medida pelo Diretório Estadual petista, ele recebeu, nessa segunda-feira à tarde, na sede provisória do governo, em Olinda, o presidente regional do PT, deputado federal Pedro Eugênio, de quem ouviu o anúncio oficial, e, após uma hora e meia de conversa, preferiu não comentar o assunto com a imprensa, como era esperado. Preferiu escalar o secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar - que também participou da reunião.

O auxiliar tratou como “natural” a decisão do PT e destacou que a medida não representa um rompimento político. “Não há inquietação”, resumiu Tadeu Alencar. Ele ainda minimizou a possibilidade de o PSB perder apoios na Assembleia Legislativa (Alepe) em função da posição, agora, independente do PT. “Sempre fizemos os debates na Alepe da maneira mais tranquila possível”.

A atitude diplomática de Eduardo Campos foi a mesma adotada pela presidente Dilma Rousseff (PT) ao receber, no fim do mês passado, a notícia de que o PSB iria entregar os cargos no governo federal. Assim como Eduardo Campos, a petista silenciou no primeiro momento da notícia, ficando a cargo da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, comentar a iniciativa. “Eu tenho certeza absoluta que nós contamos com os votos do PSB tanto da Câmara quanto do Senado”, declarou, na ocasião.

Em carta entregue a Eduardo no encontro, Pedro Eugênio pontuou que nos últimos dias - em especial após a saída do PSB da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT) - o PSB tem externado posicionamentos que "se colocam, claramente, em posição crítica ou até mesmo em clara oposição àqueles seguidos pelo governo federal".
Em entrevista, ele também observou que a decisão de deixar o governo possibilitará que a legenda tenha “mais liberdade para atuar, sem constrangimento”.

Após o encontro com o governador, o dirigente petista evitou falar em tempo para entregar todos os cargos, se limitando a responder que o processo deverá ocorrer em “prazo curto” – começou nessa segunda-feira mesmo, à noite.

“Temos que ter a clareza de que a decisão política foi tomada - esta é a questão importante - e o seu reflexo administrativo se dará um prazo razoável, tem que ser um prazo curto evidentemente. O processo de saída efetiva depende de um processo, porque algumas cadeiras que ficarem vazias poderão trazer prejuízos para a população. Este é um processo que tem que se dar com responsabilidade”, defendeu Pedro Eugênio.

Ele também disse não saber informar quantos petistas estão nas gestões do PSB, embora tenha ressaltado que o partido tem condição de monitorar o processo de entrega.

Ao ser questionado sobre as punições para quem desobedecer a decisão do diretório, o petista evitou falar em expulsões e avaliou que quem se mantiver nos cargos estará se “autoexcluindo” do partido.

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