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Seda, uma pasta questionada da Prefeitura do Recife

Dez meses depois de criada, ONGs e ativistas em defesa da causa animal cobram resultado da Seda e criticam o desempenho da pasta em campanhas de doação

Beatriz Albuquerque
Beatriz Albuquerque
Publicado em 03/11/2013 às 6:14
Hélia Scheppa/JC Imagem
Dez meses depois de criada, ONGs e ativistas em defesa da causa animal cobram resultado da Seda e criticam o desempenho da pasta em campanhas de doação - FOTO: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Rotatividade de cargos, campanhas de vacinação ineficazes, inexistência de diálogo com entidades atuantes e infraestrutura inapropriada. A Secretaria-Executiva de Direito dos Animais (Seda), criada há dez meses pelo prefeito Geraldo Júlio (PSB), foi avaliada negativamente por representantes de ONGs, ativistas e simpatizantes da causa animal. As denúncias cobram comprometimento do secretário Rodrigo Vidal (PDT), eleito vereador com quase 5,5 mil votos dos simpatizantes do movimento em sua primeira disputa eleitoral. A estrutura prevista inicialmente, com oito cargos comissionados e 14 servidores públicos, representaria um impacto financeiro anual de R$ 960,1 mil no orçamento da Prefeitura do Recife. Entretanto, hoje, até o momento, 11 profissionais da equipe ocupam cargos comissionados.

O conselho gestor do Centro de Vigilância Ambiental (CVA), segmento dos usuários, enviou pela segunda vez um ofício aos secretários de Saúde, Jailson Correia, do Direito dos Animais, Rodrigo Vidal, e de Governo, Sileno Guedes. No primeiro documento, que após três meses ainda não recebeu resposta, o colegiado se posiciona contrário à parceria existente entre a Seda e o CVA, que pertence à Secretaria de Saúde, caso as ações promovidas pela Seda continuem incompatíveis com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das entidades que atuam na Causa Animal.

De acordo com o ofício, as campanhas de adoção promovidas pela Seda não contribuem para a redução do número de animais abandonados nas ruas do Recife, pois não exigem a prévia castração ou esterilização dos cachorros e gatos doados, principalmente das fêmeas filhotes. O documento ainda denuncia a campanha da vacina V-9, que previne diversas viroses como a Cinomose. A estratégia de inscrição utilizada pela Seda, com cadastro por CPF através de e-mail, pulverizou a aplicação da vacina. O resultando foi o desperdício de verba pública, devido a não criação de uma barreira epidemiológica. 

Segundo o veterinário Gustavo Campos, recomenda-se que a vacinação em massa seja realizada por regiões. “A vacinação com cadastro através do CPF é válida porque protege o animal, mas para o controle epidemiológico não é eficaz. Para isso, a V-9 deveria ser aplicada por bairros, ruas ou abrigos”, explicou o veterinário.

A estrutura da equipe também foi contestada no documento. Através do acompanhamento de publicações no Diário Oficial, os membros do conselho gestor identificaram que o cargo de chefe de Mutirões e Esterilizações já foi ocupado por três pessoas. O troca-troca também ocorreu em outros sete postos, todos ocupados por duas pessoas. Esses foram o de coordenador de adoções e eventos, gerente da área de medicina veterinária, gerente de planejamento e gestão, coordenador de atendimento ao público, estágios e voluntariado, coordenador de educação ambiental e orientação jurídica.

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