LEGISLATIVO

Deputados suspeitam de retaliação da União em Pernambuco em projeto do Canal do Sertão

Parlamentares aproveitaram a sessão da terça-feira (5) para protestar contra a mudança no projeto original da intervenção, que pode excluir a maior parte da Região do Araripe no processo de irrigação

José Accioly
José Accioly
Publicado em 06/11/2013 às 7:35
Igo Bione/JC Imagem
Parlamentares aproveitaram a sessão da terça-feira (5) para protestar contra a mudança no projeto original da intervenção, que pode excluir a maior parte da Região do Araripe no processo de irrigação - Igo Bione/JC Imagem
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Retaliação do governo federal ou briga por água entre Pernambuco e Bahia? Deputados aproveitaram a sessão de ontem, na Alepe, para protestar, convocar audiência, pedir a posição do governador Eduardo Campos (PSB) e sugerir a ida de uma comissão parlamentar a Brasília, visando a reverter a mudança no projeto de irrigação do Canal do Sertão, que exclui a maior parte da Região do Araripe.

Presença prevista no termo de compromisso assinado entre a União e o Estado, em 2005, a retirada da maior parcela do território – prevista no projeto original de irrigação – deixa de contemplar os municípios de Ouricuri, Araripina, Trindade, Bodocó, Exu, Granito e Moreilândia.

A denúncia foi levada à Assembleia pelo deputado Raimundo Pimentel (PSB), que é da região, e foi o suficiente para parlamentares da oposição levantarem a hipótese de “retaliação” do governo federal devido ao rompimento de Eduardo Campos (PSB) e de sua possível candidatura a presidente em 2014. 

“Os Canais do Sertão e do Agreste foram negociados pelo governo Jarbas Vasconcelos com o presidente Lula para que Pernambuco não fosse apenas passagem da transposição do São Francisco. Agora, a União quer cortar 80%. Queremos que o governador se pronuncie. Desconfio que seja retaliação”, insinuou Terezinha Nunes (PSDB). “Proponho que uma bancada de deputados vá a Brasília. É preciso saber as razões e reverter essa mudança”, reforçou Maviael Cavalcanti (DEM).

A Companhia do Vale do São Francisco (Codevasf), subordinada ao Ministério da Integração, publicou em meados de outubro o edital de concorrência (nº 63/2013) para novo estudos de terras que exclui a região. Mais comedidos, governistas defenderam a mobilização em defesa do projeto original. “Como se muda de uma hora para outra? Não creio que o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho soubesse disso”, colocou Tony Gel (PMDB). “Convocamos uma audiência para o dia 14 deste mês com a Codevasf e os governos federal e estadual. Não creio em retaliação. Pode ser briga por água. A Bahia quer aumentar um projeto de irrigação igual”, ponderou Raimundo Pimentel.

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