Legislativo

Indignação em Caruaru com a prisão de vereadores

Prisão de dez vereadores tem repercussão nacional e provoca discussão na cidade sobre os trabalhos da Câmara

Wagner Gil
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Publicado em 22/12/2013 às 6:21
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Prisão de dez vereadores tem repercussão nacional e provoca discussão na cidade sobre os trabalhos da Câmara - FOTO: Wagner Gil
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O histórico de problemas da Câmara de Vereadores de Caruaru tem deixado parte da população do município indignada. Nas entidades de classe ou nas ruas, não se fala em outra coisa a não ser a prisão dos dez vereadores – entre os 23 da cidade – que, segundo a polícia, foram flagrados tentando extorquir o prefeito José Queiroz (PDT). As prisões ocorreram na quarta-feira (18), durante a Operação Ponto Final.

Para a professora Daniela Nunes, 36 anos, o fato é lamentável, mas foi preciso a exposição para que a sociedade tivesse ideia de como está o Legislativo local. “Lamento pelo fato de a cidade ficar exposta de uma forma tão negativa, mas foi importante para se ter uma ideia de como Caruaru está entregue. Só a população mesmo, através do voto, é que pode mudar a forma que ainda fazem política. O coronelismo acabou e tem gente que não percebe isso”, afirmou.

O comerciário José Pedro, 40 anos, reforçou que um fato tão negativo pode trazer dividendos positivos. “É preciso tirar o exemplo e votar diferente. Eles estão lá porque votamos. Precisamos analisar melhor o voto. Que isso sirva de exemplo para quem vota e quem é votado”.

Já o comerciante Ramiro Spíndola analisou que o prefeito José Queiroz tinha uma grande bancada e com a operação praticamente ficou sem oposição, já que todos da bancada foram presos. “Acredito que os vereadores (suplentes) que entraram, mesmo pela oposição, terão uma postura diferente, em prol da cidade e não de interesses pessoais”, avaliou.

O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Eduardo Mendonça, mostrou sua indignação. “Essa legislatura começou de forma muita errada e só poderia acabar desta forma mesmo”, disparou Mendonça, referindo-se à aprovação do plano de cargos e carreiras dos professores, em janeiro deste ano.

Na própria Casa legislativa, o clima é de muita tristeza, com praticamente todos os servidores evitando tocar no assunto. “Estamos tristes porque são pessoas que estavam aqui trabalhando conosco, mas é lamentável porque, de qualquer forma, é o nosso trabalho. Somos servidores públicos”, disse um funcionário, pedindo para não revelar seu nome.

PAGAMENTOS
Na manhã da sexta-feira (20), a Câmara realizou o pagamento dos vereadores afastados. Porém, caso eles permaneçam presos, os suplentes que participaram da primeira sessão na última quinta-feira (19) receberão os vencimentos integralmente. Sobre as assessorias, a Casa informou que elas permanecerão como estão.

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