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Cinco vereadores de Caruaru têm prisão decretada novamente

Foco da nova operação é um relatório divulgado pela Controladoria-Geral da União no ano passado

Pedro Romero
Pedro Romero
Publicado em 29/01/2014 às 20:54
Fotos: Arquivo JC
Foco da nova operação é um relatório divulgado pela Controladoria-Geral da União no ano passado - FOTO: Fotos: Arquivo JC
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CARUARU – A Polícia Civil de Caruaru desencadeou nesta quarta (29) a Operação Ponto Final 2, que tenta cumprir seis mandados de busca e apreensão e cinco de prisão contra vereadores da cidade. Evandro Silva (PMDB) e Val das Rendeiras (PROS) foram presos à tarde e já estão na Penitenciária Juiz Plácido de Souza. Val de Cachoeira Seca (DEM), Neto (PMN) e Pastor Jadiel (PROS) foram os outros parlamentares que tiveram mandado de prisão decretada e estão sendo procurados.

De acordo com o delegado regional Erick Lessa, o foco dessa operação é um relatório feito pela Controladoria-Geral da União (CGU), divulgado o ano passado. “Tem a ver com a operação anterior, só que em outro contexto. As acusações são as mesmas, ou seja, corrupção passiva, concussão e integrar organização criminosa”, disse o delegado. Segundo ele, o novo inquérito foi desencadeado após a realização da Operação Ponto Final.

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 Sem querer adiantar detalhes, ele acrescentou que todas as informações serão repassadas na manhã desta quinta (30), em uma entrevista coletiva que será realizada na Delegacia Regional de Caruaru. O relatório da CGU apontava possíveis irregularidades da prefeitura e fontes extraoficiais indicam que os vereadores teriam cobrado propina para votar contra a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. 

O relatório da Controladoria-Geral da União aponta superfaturamento na compra de itens da merenda escolar, desvio de finalidade no empenho de verbas públicas e licitação dirigida na Prefeitura de Caruaru. O maior prejuízo está nos contratos firmados com o Ministério da Educação. O relatório foi tema de uma série de reportagens publicada no Jornal do Commercio.

O pedido de instalação da CPI foi votado pela Câmara na sessão do dia 24 de setembro e rejeitada por 12 votos contra nove. Na ocasião, a bancada de oposição disse que houve manobra e entrou na Justiça para tentar reverter a situação. 

Depois de prestarem depoimentos, os dois vereadores que foram presos realizaram exame de corpo de delito e foram encaminhados à Penitenciária Juiz Plácido de Souza. A polícia continuou as diligências para tentar prender os outros acusados. Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Pierre Souto Maior, também responsável pela prisão dos dez parlamentares que estão sendo investigados na Operação Ponto Final. 

Os cinco parlamentares já haviam sido presos, acusados de cobrar R$ 2 milhões para aprovar um projeto da prefeitura que prevê a implantação de um Bus Rapid Transit (BRT) em Caruaru. As negociações foram feitas entre os parlamentares e o secretário de Relações Institucionais Marco Casé e foram gravadas pela polícia. Além deles, outros cinco parlamentares estão respondendo ao processo em liberdade.

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