PONTO FINAL 2

Polícia aponta que criação de CPI tinha intuito de cobrar barganha

Polícia Civil revela que os cinco vereadores acusados usariam comissão para cobrar propina da Prefeitura de Caruaru

Pedro Romero
Pedro Romero
Publicado em 31/01/2014 às 6:11
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CARUARU – Os cinco vereadores que tiveram a prisão preventiva decretada anteontem na operação Ponto Final 2 queriam a aprovação de uma CPI para depois barganhar dinheiro com a prefeitura para que o resultado das investigações não desse em nada. Os detalhes foram divulgados, ontem, pela Polícia Civil. Dois dos parlamentares acusados já estão atrás das grades e outros três são considerados foragidos pela polícia.

De acordo com a Polícia Civil, os vereadores Neto (PMN), Val (DEM) e Evandro Silva (PMDB) deram dinheiro para que Val das Rendeiras (PROS) e Pastor Jadiel (PROS) assinassem um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Segundo o delegado Erick Lessa, responsável pelas investigações, o objetivo da comissão era investigar supostas irregularidades da prefeitura levantadas em um relatório da Controladoria Geral da União (CGU).

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“Eles queriam criar a comissão e depois cobrar dinheiro da prefeitura para que o resultado das investigações não desse em nada”, explicou Erick Lessa. Segundo a polícia, Pastor Jadiel teria recebido R$ 30 mil, sendo R$ 15 mil pagos por Val e R$ 15 mil por Neto.

Com a assinatura de mais três vereadores, o requerimento solicitando a abertura de uma CPI foi aprovado, mas o presidente da Casa, Leonardo Chaves (PSD), alegou que a matéria precisava de votação no plenário e a iniciativa foi derrotada. Os parlamentares recorreram à Justiça e a comissão acabou sendo instalada. O presidente é o vereador Marcelo Gomes (PSB), que não quis falar sobre o assunto.

O relatório da CGU aponta superfaturamento na compra de itens da merenda escolar, desvio de finalidade no empenho de verbas públicas e licitação dirigida na Prefeitura de Caruaru. O maior prejuízo está nos contratos firmados com o Ministério da Educação. O relatório foi tema de uma série de reportagens publicada no Jornal do Commercio, em agosto do ano passado.

Os cinco parlamentares que estão sendo acusados nesse inquérito já haviam sido presos, acusados de cobrar R$ 2 milhões para aprovar um projeto da prefeitura que prevê a implantação do sistema de Bus Rapid Transit (BRT) em Caruaru. As negociações foram feitas entre um grupo de dez vereadores e o secretário de Relações Institucionais, Marco Casé, e foram gravadas pela polícia.

Evandro Silva e Val das Rendeiras já estão na Penitenciária Juiz Plácido de Souza. Val, Neto e Pastor Jadiel estão sendo procurados pela policia. Os parlamentares que teriam oferecido dinheiro estão sendo acusados de corrupção ativa e de integrar organização criminosa.

Os vereadores acusados de receber dinheiro vão responder por corrupção passiva e também por integrar organização criminosa. De acordo com o delegado Erick Lessa, outras pessoas serão ouvidas nas investigações. Ele tem dez dias para concluir o inquérito.

Os advogados dos vereadores que estão sendo acusados entraram ontem no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) com pedidos de habeas corpus liberativo para os parlamentares que estão presos e preventivos, para os que estão ameaçados de prisão.

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