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Diplomacia para tratar dos privilégios

Novatos propõem o debate interno para enfrentar questões que a sociedade rejeita, como os privilégios no Parlamento

Carolina Albuquerque
Carolina Albuquerque
Publicado em 11/10/2014 às 21:47
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Marinheiros de primeira viagem na Assembleia Legislativa, os deputados eleitos Priscila Krause (DEM) e Edilson Silva (PSOL) são diplomáticos quando o tema é debater privilégios e condutas questionáveis que ainda persistem no parlamento. Com a experiência de três mandatos na Câmara do Recife, a democrata não foge de uma auto-reflexão quanto ao papel do legislativo que, esvaziado de postura crítica, é depreciado pela população. "Entendo que tudo é construído pelo diálogo e não pelo embate frontal e radical", frisa. Dizendo-se comprometido com a transparência, o psolista espera ser "exemplo de conduta".

A Assembleia caminha a passos lentos para uma auto-reflexão. Só este ano começou a enfrentar a agenda dos comissionados que, antes do concurso ocorrido em abril deste ano, eram 1.833. Para se ter uma ideia, os concursados eram apenas 264. Mesmo assim, os deputados ainda não oferecem à população uma ferramenta fundamental (cuja lei foi aprovada em maio): o portal de transparência. O controle social por parte da sociedade é penoso quando confrontado, por exemplo, às chamadas licenças culturais. O recurso permite que o parlamentar viaje ao exterior, sem desconto na folha de pagamento ou qualquer compromisso de trazer retorno ao legislativo. Na prática, funciona como férias extras aos dois recessos anuais.

"Estou comprometida com o aperfeiçoamento das instituições e a valorização do Legislativo, que tem como princípio levantar o debate e fiscalizar as ações do governo. Mas não dá para enfrentar uma agenda como essa de um dia para o outro. É preciso construir coletivamente", diz Priscila. Edilson confessa não saber em profundidade as questões regimentais e a estrutura dada a um deputado. "É preciso ter critério de avaliação e transparência. O problema está na qualidade da maioria dos nossos parlamentares, a sociedade tem razão de reclamar. A licença cultural em si não vejo como privilégio. O intercâmbio cultural é importante. Se eu tiver que sair daqui para um congresso, faço questão de apresentar um relatório na volta. Espero que nosso exemplo estimule a prática entre os colegas", diz.

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