ALEPE

Oposição vai do PSOL ao DEM

Deputados estaduais eleitos que não estarão na base aliada do governo do Estado são de partidos ideologicamente divergentes

Carolina Albuquerque
Carolina Albuquerque
Publicado em 11/10/2014 às 21:31
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Quem poderia imaginar que um dia o PT, o PTB, o DEM e o PSOL estariam lado a lado, numa luta em comum? Se nenhuma mudança de conjuntura política acontecer até o início da próxima legislatura, esses serão os partidos que farão parte do bloco de oposição ao governador eleito Paulo Câmara (PSB), na Assembleia Legislativa. O socialista ainda detém a seu favor a maioria parlamentar, prerrogativa para aprovar e vetar projetos de seu interesse. Se unidos, os parlamentares eleitos que foram colocados na oposição pelas urnas podem fazer barulho, deixando para trás o cenário de quase nulo embate das duas gestões do ex-governador Eduardo Campos, padrinho político de Paulo.

Partido do candidato a governador derrotado, Armando Monteiro, o PTB conseguiu dobrar a sua bancada na Alepe, ao eleger seis deputados estaduais. Parte dessa aliança, o PT diminuiu, mantendo três. Já as outras duas correntes que assumem compromisso de adotar postura oposicionista são de origem bem distintas. Primeiro Edilson Silva, que conseguiu dar ao PSOL de Pernambuco, partido de esquerda e socialista, o primeiro mandato. Do outro lado, o DEM, que tem raízes no PFL e por sua vez na Arena (partido de sustentação da Ditadura Militar), da vereadora Priscila Krause, única deputada eleita pela legenda. Ela é um caso à parte. Embora o DEM esteja alinhado com Paulo, Priscila, herdando a postura de oposicionista da Câmara de Vereadores, fez a sua campanha pautada pelo papel de fiscalização e independência. Em princípio, a bancada de oposição já contaria com 11 representantes. Existe, porém, casos especiais. O deputado eleito Bispo Ossésio (PRB) e a deputada eleita Socorro Pimentel (PSL) podem aumentar esse número, caso permaneçam alinhados com o PTB, legenda à qual estiveram coligados na disputa estadual. O que pode aumentar para 13 o número de oposicionistas.

[INTERTITULO]COSTURAS

[/INTERTITULO]Dada a abissal diferença ideológica e partidária, a nova oposição tem o desafio de se alinhar em torno de agendas comuns. Presidente estadual do PT, a deputada reeleita, Teresa Leitão (PT), garante não ter dúvidas de que o PT, até 2013 aliado do PSB, estará na oposição. "Vamos ter que reunir. Por mim, vou defender que viremos todos um bloco", sugeriu. Regimentalmente, os parlamentares têm que se alinhar ou com os governistas ou com os oposicionistas. Isso não obriga, porém, que adotem posturas ativas seja num ou noutro.

"O nosso caminho é a oposição", afirma Sílvio Costa Filho (PTB), deputado estadual reeleito. Assim como Teresa Leitão, que está dedicada integralmente à campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em Pernambuco, Sílvio Costa também diz que só irá se movimentar para um debate sobre agenda oposicionista com o fim do segundo turno. "Vamos dialogar com os deputados eleitos da oposição, com PSOL, DEM, PT. Não teremos nenhuma dificuldade. Vou sim buscar para uma reunião para definir estratégias, para termos algo integrado. O PTB está disposto a contribuir para isso. O desafio é o de buscar unidade", diz.

Segundo Costa, ao ampliar a bancada oposicionista "as urnas deram o recado". "Convivemos quase oito anos onde não se tinha oposição", pontua. Assim como o PT, o PTB foi governista até romper com Eduardo Campos. Antes disso, a voz crítica era diminuta, resumida à atuação dos deputados Terezinha Nunes, Betinho Gomes e Daniel Coelho, todos do PSDB, que agora está na base do PSB.

À revelia do partido, Priscila Krause se coloca alinhada com a bancada de oposição. "Não sei como regimentalmente isso vai se dar. Mas farei sim um papel de fiscalizar e levantar o debate, sempre a favor das pessoas". Ela acredita que não haverá dificuldades para a convivência dessas distintas vias de oposição. "Certamente, a gente vai dialogar, respeitosamente. Buscar sempre ter um resultado prático", pontua. Próximo aos movimentos sociais, como o Ocupe Estelita, que vem debatendo a ocupação urbana, Edilson Silva diz que sua oposição será baseada na "mobilização popular". "Não queremos fazer uma oposição parlamentar simplesmente. Mas sim estabelecer uma dinâmica com essa voz que vem das ruas. Vamos ser uma ponte a mais para essas demandas, como a de junho de 2013", fala.

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