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Câmara do Recife aprova projeto que altera legislação urbanística em área de preservação

Projeto de lei permite demolições na Boa Vista, Coelhos e Soledade

Ulysses Gadêlha
Ulysses Gadêlha
Publicado em 18/12/2014 às 22:06
Foto: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem
Projeto de lei permite demolições na Boa Vista, Coelhos e Soledade - FOTO: Foto: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem
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Foi aprovado nessa terça-feira, na Câmara do Recife, com forte apoio da bancada governista, o projeto de lei do Executivo 43/2014, que altera a legislação urbanística referente à Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (ZEPH 08), composta por Boa Vista, Coelhos e Soledade. Apesar das advertências da oposição, a matéria venceu por 23 votos a 7 e deve ser sancionada em até 15 dias.

O texto diz que “os projetos aprovados e com alvará de demolição já expedido serão regularmente concluídos e licenciados segundo as leis e a classificação dos imóveis vigentes à época de sua aprovação”.

O projeto urbanístico da ZEPH 08 foi aprovado em julho deste ano, suspendendo todas as licenças de demolição que estavam em aberto na época. Alguns empreendimentos, como o residencial Nossa Senhora do Carmo, da construtora Conic, na Rua Visconde de Goiana, foram afetados. Nas redes sociais, o movimento Direitos Urbanos vinha se manifestando contrariamente ao PLE 43/2014.

O líder do governo, Gilberto Alves (PTN), por sua vez, fez questão de assegurar que o projeto foi minuciosamente analisado pela Casa e pela Procuradoria Municipal. “Ao longo do dia conseguimos conversar com as bancadas, já que alguns vereadores não estavam ainda convencidos”, afirmou. Na sua justificativa, o prefeito Geraldo Julio (PSB) explica que o projeto visa “impedir a desconstituição de atos jurídicos estabelecidos antes da vigência da Lei Municipal”.

Entretanto, os vereadores Priscila Krause (DEM) e Raul Jungmann (PPS) usaram a tribuna para externar que não ficaram convencidos da constitucionalidade do projeto. Na visão da democrata, a prefeitura afronta a lógica de preservação de “maneira despudorada”. “Existem inúmeras decisões do STF que questionam a validade desse direito adquirido. Se você não executou a licença, isso não se transforma em direito adquirido”, defendeu. O vereador Raul Jungmann declarou que pretende entrar na Justiça para contestar o projeto do Executivo.

DESPEDIDA

No fim da discussão, Priscila Krause fez seu último pronunciamento como vereadora, após dez anos na Casa José Mariano. Em fevereiro, a democrata toma posse como deputada estadual. Bastante emocionada, ela agradeceu aos colegas de trabalho e aos vereadores, recebendo o carinho dos seus pares. No plenário estava presente o seu pai, o ex-governador Gustavo Krause.

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