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Mote da reeleição acirra clima de despedida na Alepe

Na última sessão do ano, Rodrigo Novaes (PSD) defendeu alternância de poder enquanto Guilherme Uchôa (PDT) fez "prestação de contas" de olho no 5º mandato

Ulysses Gadêlha
Ulysses Gadêlha
Publicado em 23/12/2014 às 15:12
Foto: JC Imagem
Na última sessão do ano, Rodrigo Novaes (PSD) defendeu alternância de poder enquanto Guilherme Uchôa (PDT) fez "prestação de contas" de olho no 5º mandato - Foto: JC Imagem
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Em reunião solene de encerramento ano legislativo, e diante do presidente do TJPE, Frederico Neves, à mesa, a última sessão da Assembleia Legislativa revelou que a disputa pela mesa diretora, em 2015, pode levar a uma divisão e um confronto histórico na Casa, principalmente se o governador Paulo Câmara (PSB) abandonar a neutralidade e optar por um nome contra o atual presidente e governista Guilherme Uchoa (PDT). Inscrito para fazer um balanço do mandato, o deputado Rodrigo Novaes (PSD) aproveitou o pronunciamento para pedir alternância de poder com renovação da mesa, inclusive a substituição de Uchoa, que está concluindo o quarto mandato. 

“Defendo a renovação no comando da Casa. Isso permitirá que novas ideias surjam, que se respeite o equilíbrio de forças, a proporcionalidade das bancadas. O continuísmo, seja de quem for, não é saudável. A alternância valoriza o Legislativo”, ressaltou Novaes, enervando o clima no plenário. Ele negou ter sido uma articulação dos opositores de Uchoa: “Foi uma iniciativa minha”. 

O gesto gerou uma tensão quanto à resposta de Uchoa, que só veio no final. A postura dele, todavia, foi de indiferença, a ponto de dizer que “não tinha nem percebido” a provocação. A reação veio no balanço dos oito anos de gestão, quando Uchoa improvisou sobre o texto, revelando nas entrelinhas a razão da certeza de uma nova reeleição: a gratidão dos deputados. “Essa é a Casa da diversidade de pensamentos, mas cremos que, nesta Casa, a maioria sabe o que é melhor para o Poder. Não foi fácil defendê-la, sem constituir advogados, quando a OAB ingressou com Ação de Inconstitucionalidade (para reduzir de 49 para 47 o número de deputados). É a única Assembleia do País que ainda responde a Adins da OAB no STF (uma outra é a da redução dos comissionados)”, destacou Uchoa.

Após a sessão, ao levar atuais e novos deputados para conhecer o novo prédio dos gabinetes, Uchoa foi irônico com Novaes. “Eu tinha até esquecido. A Casa é que decide, a maioria é quem decide. Obedeço a vontade da maioria dos 49”, expressou certeza.

Indagado se já teve a sinalização de Paulo Câmara sobre a reeleição para a mesa, Uchoa negou e disse que não haverá influência do Executivo numa questão do Legislativo. “Paulo, pelas conversas que tive, não deverá interferir. Ele tem outras questões maiores e aqui quem decide são os deputados”, disparou.

Pró-renovação da mesa, Alberto Feitosa (PR) saiu em defesa de Rodrigo Novaes, assegurando que não foi orquestrado o pronunciamento. “Nada articulado. Foi iniciativa de Novaes, que falou porque Uchoa preparou a sessão para sugerir reeleição”, alegou.

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