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Vereadores do Recife batem boca após mudança na Comissão de Educação

Com veemência, Isabella de Roldão cobrou do presidente da casa, Vicente André Gomes (PSB), uma justificativa plausível para a sua saída da comissão

Ulysses Gadêlha
Ulysses Gadêlha
Publicado em 13/04/2015 às 19:01
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Com veemência, Isabella de Roldão cobrou do presidente da casa, Vicente André Gomes (PSB), uma justificativa plausível para a sua saída da comissão - FOTO: Foto: Divulgação
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A vereadora Isabella de Roldão (PDT) subiu na tribuna, na tarde desta segunda-feira (13), para expressar sua indignação por ter sido retirada da Comissão de Educação da Câmara Municipal. Com veemência, a pedetista cobrou do presidente da casa, Vicente André Gomes (PSB), uma justificativa plausível para a sua saída da comissão. Ela ainda disparou críticas ao líder do governo, Gilberto Alves (PTN), que, segundo ela, teria declarado que o mandato da vereadora é "atabalhoado" e que ela era mentirosa. Tanto Vicente, quanto Gilberto responderam à parlamentar, minimizando as suas queixas.

Visivelmente consternada, Isabella afirmou que a saída dela da Comissão de Educação teria sido uma manobra do governo para retirá-la do Conselho Municipal de Educação. "Eu estou aqui todos os dias, o mínimo de coleguismo que eu podia esperar é que alguém chegasse pra mim e tivesse me avisado. Fui golpeada pelas costas. O presidente, por motivos que só ele sabe, deve entender a justificativa do meu afastamento. Mas eles não esperavam o fato de que a legislação me protege. Eu tenho um mandato de quatro anos no Conselho de Educação", declarou a vereadora.

Na tribuna, a parlamentar pediu respeito ao presidente Vicente, o qual ela acusa de ter declarado que "afastar Isabella da comissão foi como tirar um brinquedo das mãos dela". "Eu não brinco com o meu mandato, vereador (Vicente). Se o desejo é me calar, vocês não vão conseguir", disse.

A vereadora ainda contou que, na sexta-feira, o vereador Gilberto Alves teria chamado ela de mentirosa e qualificado o mandato dela como "atabalhoado", quando ele deu entrevista a uma rádio local. "Eu exijo respeito, vereador Gilberto Alves. Eu nunca viria para a tribuna ou pra alguma rádio para chamar um vereador de mentiroso. O problema é que esta casa parece que é uma continuação da prefeitura, com vereadores subservientes ao desejo do prefeito. Eu não sou submissa aos ditames do Poder Executivo", disparou. ´

O atrito entre os dois se deve a uma audiência pública que Isabella realizará na próxima quarta-feira (15) sobre o movimento Ocupe Estelita. Gilberto Alves realizou audiência na última sexta-feira (10) tratando de tema semelhante, abordando o projeto de lei 08/2015. A vereadora acusa Gilberto de ter tentado dificultar a realização da audiência que ela quer promover, porque o líder do governo teria pedido vistas do requerimento. "Só nesse ano, eu aprovei seis audiências públicas, apenas uma foi negada. Não dá pra dizer que é praxe da casa pedir vistas de audiência. O que praxe é a gente convocar uma audiência e o secretário não vir", disse.

O vereador Gilberto Alves, por sua vez, voltou a dizer que a vereadora mentiu, que é normal pedir vistas de qualquer matéria. "Ela disse que eu havia produzido uma manobra para que ela não realizasse a audiência dela. Também insinuou que minha audiência seria chapa branca, só porque a prefeitura está realizando. Nossa audiência contou com representação do secretário de Planejamento, Antônio Alexandre, órgãos ligados a prefeitura e representação de movimentos da sociedade civil", explicou o líder.

Já o presidente Vicente André Gomes voltou a bater na tecla de que estava realizando um rodízio nas comissões, "sem sair um milímetro do que o regimento diz". O presidente afirmou que, quando ele colocou Isabella na Comissão de Educação, ele precisou tirar um membro desta, mas pedetista não fez nenhuma crítica ao fato, naquela época. "O problema é que a vereadora está se vitimizando. Toda comissão é importante. Só porque ela é pedagoga, não é obrigada a estar na comissão de Educação. Eu a coloquei na comissão de Juventude e está de bom tamanho", afirmou o presidente, que chegou a se alterar, quando membros da comissão foram lhe cobrar uma justificativa mais plausível.

O vereador Osmar Ricardo (PT) fez uso da palavra para dizer que entregaria seu cargo na comissão de Segurança Pública, convocando os outros 10 membros da oposição para fazer o mesmo. "É preciso ter solidariedade, porque isso aqui é um grupo. Eles só tiraram Isabella da comissão porque ela é oposição", disse o petista.

Por fim, enquanto Vicente André Gomes prestava esclarecimento à imprensa, Osmar se aproximou e questionou a prerrogativa de diálogo que Vicente havia mencionado. O petista alegou que não foi cumprido um acordo feito com o secretário de Relações Institucionais, Fred Oliveira, para que ele assumisse vaga na comissão de Constituição, Legislação e Justiça. Enérgico, o presidente respondeu: "Quem manda nesta Casa sou eu e não Fred Oliveira. Está feito, as comissões estão distribuídas, cumpri o regimento".

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