ELEIÇÕES

''A Prefeitura do Recife não é um projeto meu'', afirma Jarbas Vasconcelos

Deputado pernambucano admitiu discutir, entretanto, sobre a presidência da Câmara

Do JC Online
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Publicado em 27/11/2015 às 12:50
Foto: Bobby Fabisack/JC Imagem
Deputado pernambucano admitiu discutir, entretanto, sobre a presidência da Câmara - FOTO: Foto: Bobby Fabisack/JC Imagem
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O deputado federal Jarbas Vasconcelos, da ala independente do PMDB, se reuniu na manhã desta sexta-feira (27) com o senador Aécio Neves (PSDB) na residência onde mora, no Recife. O ex-candidato à Presidência da República faz visita à capital pernambucana para agenda do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Em conversa com o JC, Jarbas falou sobre o encontro com o presidente do PSDB e sobre uma possível candidatura à Prefeitura do Recife e à presidência da Câmara dos Deputados, caso Eduardo Cunha seja cassado.

JORNAL DO COMMERCIO - Que temas foram tratados na conversa com Aécio Neves?

JARBAS VASCONCELOS - Aécio está extremamente apreensivo com o quadro nacional, o que eu concordo. Ele explicou que está fazendo um périplo pelo Brasil, participando de seminários e contactando com eleitores. E nós combinamos fazer reuniões já a partir da semana que vem, não só diante da Câmara e do Senado, mas com pessoas de fora também, como Fernando Henrique Cardoso, que está conectado com a crise. A impressão é de que, se a gente não chegou, já está bem próximo do fundo do poço. Tive notícia de que o ministro do STF Teori Zavascki está estarrecido com a delação que recebeu. Os documentos estão com ele para serem homologados e não tenho dúvidas de que isso será feito rapidamente. Temos que estar preparados para a situação, que só tende a piorar.

JC - A questão do impeachment da presidente foi discutida?

JARBAS - Eu acho que o impeachment é questão de tempo. E isso fica cada vez mais claro dentro e fora do Congresso. Se Dilma tiver algum tipo de racionalidade, será ela que vai renunciar. Hoje, todos os jornais chamam a atenção, na sua primeira página, sobre a paralisia do País. Se tudo isso é verdade, estamos próximos do fundo do poço. Vivemos uma tempestade de inflação, desemprego e recessão. Num mês importante, de confraternização, festa e 13º salário, o País está paralisado; o Congresso paralisado, o Executivo paralisado há muito tempo. Só quem está funcionando é o Judiciário. É um quadro tenebroso.

A crise vai se agravar porque a Operação Lava Jato não terminou e não vai terminar agora. Vai se estender muito ainda. O Eduardo Cunha tem que ser afastado imediatamente. A Câmara deve votar por seu afastamento ainda esse ano. Ele não pode, sob hipótese alguma, comandar a sessão de um eventual pedido de impeachment. Falta a ele condições morais e éticas para conduzir uma pauta destas. Ele não tem condições de presidir a Casa e muito menos de conduzir um processo de impeachment.

JC - Há uma possibilidade, então, de o recesso da Casa ser adiado?

JARBAS - O adiamento do recesso é, sim, uma alternativa bastante viável. Na prática, ele já começa no dia 17, apesar de na teoria ser no dia 22. A situação não precisa nem se agravar, basta permanecer desse jeito.

JC - Fala-se muito sobre uma possível candidatura sua para a Prefeitura do Recife em 2016. Você encara essa possibilidade?

JARBAS - A prefeitura não é um projeto meu. Apesar de não gostar de falar sobre o futuro, posso assegurar que não é projeto meu disputar a prefeitura.

JC -  E a presidência da Câmara dos Deputados?

JARBAS - Primeiro, deve-se resolver o problema de Eduardo Cunha. Primeiro, é fundamental a retirada dele da Casa. Resolvido o problema, não só eu como todo o colegiado se pronunciará sobre isso. Com a saída de Cunha, eu admito discutir a presidência da Casa, mas não vou dizer que vou disputar um cargo que não está vago.

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