eleições 2016

Momento incerto para o PT em Pernambuco

Pela primeira vez, desde 2000, partido não ocupa espaço em uma esfera de poder

Mariana Araújo
Mariana Araújo
Publicado em 15/05/2016 às 8:45
Foto: JC Imagem
Pela primeira vez, desde 2000, partido não ocupa espaço em uma esfera de poder - FOTO: Foto: JC Imagem
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Dezesseis anos depois de chegar ao poder na Prefeitura do Recife, o PT poderá disputar novamente o maior cargo da cidade em uma situação diferente. Se em 2000 havia um sentimento de ascensão da esquerda no País, que culminou na eleição de Lula para a presidência do Brasil dois anos depois, agora a candidatura vem acompanhada do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT), interrompendo uma sequência de 14 anos do partido no poder da Nação.

A coincidência entre os pleitos de 2000 e o deste ano para a eleição no Recife é o nome apresentado pelo PT para a disputa: João Paulo, que governou a cidade por dois mandatos e foi deputado federal. Em 2014, ele disputou o Senado, mas acabou derrotado. Será, também, uma oportunidade do petista se reerguer na política local. O nome de João Paulo ainda não foi fechado no partido, mas é consenso entre a maioria dos petistas, da direção do partido à base. Em fevereiro, o ex-prefeito afirmou que a sua candidatura era a mais cotada para a capital pernambucana na preferência da direção nacional do PT. A definição do nome sai entre o final de maio e o começo de junho.

Se por um lado a derrota política de Dilma no Congresso gerou a maior crise já vivida pelo PT, por outro serviu para unir a militância. É a avaliação do senador Humberto Costa, ex-líder do governo de Dilma. Para ele, o partido está em uma situação melhor junto aos simpatizantes do que há cerca de um ano atrás.

“O PT viveu um momento de muita dificuldade. Depois nós conseguimos, com a formação dessa grande frente, fazer uma clara oposição ao impeachment. Isso levou o partido a se reencontrar com muitas de suas bases iniciais, com aliados potenciais. E nos deu, acima de tudo, uma narrativa de tudo isso que aconteceu. Acho que não é uma situação ruim do PT para disputar a eleição no Brasil. A continuar o perfil desse governo que está aí, acho que o povo vai ter muita saudade de Dilma”, analisou Humberto.

A mesma opinião é compartilhada pelo ex-prefeito João Paulo e do presidente do PT-PE, Bruno Ribeiro. “Há uma polarização nacional e pode fortalecer o PT de alguma forma. As medidas que Temer está tomando são tão amargas que as pessoas vão começar a sentir mais perto. Tem tempo ainda”, avaliou João Paulo.

“A gente acha que as eleições municipais nas grandes cidades terão uma parte definida pela posição do cidadão em relação a infraestrutura urbana, a qualidade dos serviços públicos. Mas esse debate sobre democracia, sobre ruptura constitucional, sobre golpe, vai ser parte de mudança de modelo do País. Nós achamos que isso vai ser uma parte importante do debate político deste ano”, pontuou Ribeiro.

O cenário de ruptura do PSB com o DEM e o PSDB também poderá contribuir para o crescimento do PT no Estado. “Também tem numa nova conjuntura das dificuldades do PSB e do fortalecimento do PSBD e do DEM, e do grupo internos do PSB, como Fernando Bezerra Coelho. Nós vamos ter um novo quadro. Nós vamos nos debruçar para poder montar qual vai ser a melhor estratégia”, declarou João Paulo. Na terça-feira, o diretório nacional do PT reúne-se em Brasília para definir as ações que serão tomadas na oposição a Temer e também as candidaturas municipais. Após a reunião nacional, os diretórios municipal e estadual farão novos encontros para afinar a estratégia.

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