Confronto

Ministro da Educação diz que atrai ira de setores radicais da esquerda

Mendonça Filho afirmou em evento no Recife que sofre com boataria diária da oposição, sobretudo nas redes sociais; ele garante ter formado a melhor equipe técnica do ministério

Franco Benites
Franco Benites
Publicado em 12/09/2016 às 17:06
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Mendonça Filho afirmou em evento no Recife que sofre com boataria diária da oposição, sobretudo nas redes sociais; ele garante ter formado a melhor equipe técnica do ministério - FOTO: André Nery/JC Imagem
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O ministro da Educação, Mendonça Filho, foi um dos convidados para participar de uma palestra com empresários do Recife nesta segunda-feira e aproveitou a ocasião para rebater a oposição ao governo Michel Temer. O pernambucano também ressaltou que tem condições de fazer um trabalho à altura das necessidades educacionais do Brasil. Ele discursou ao lado de outros ministros pernambucanos como Bruno Araújo (Cidades), Fernando Filho (Minas e Energia) e Raul Jungmann (Defesa).

"Formei o melhor corpo técnico da área de Educação talvez dos últimos anos dentro do ministério da Educação, sem falsa modéstia. Eu atraio muita ira por parte de setores radicalizados, mas podem ficar irados porque vou preservar o dinheiro público investindo na direção daqueles que mais precisam da educação para se emancipar socialmente", afirmou.

Mendonça enfatizou que sofre ataques diários de militantes do PT e ligou as críticas ao que considera boatos. 

"Todos os programas de êxito do ministério foram preservados, apesar da rede de boataria que enfrento quase que diariamente. Nas redes sociais, principalmente, há boatos manipulados por segmentos radicais da esquerda brasileira e do PT. Falavam que iríamos acabar o Prouni, ele ficou e foi até ampliado. O número de vagas do Prouni neste segundo semestre é maior do que no segundo semestre do ano passado. Teve a boataria que se encerraria o Fies e ofertamos 75 mil vagas para este ano mesmo não tendo orçamento fixado pela gstão anterior", declarou.

Desde que assumiu o ministério da Educação, Mendonça recebeu muitos questionamentos. Um deles foi em relação ao Ciências sem Fronteiras. O ministro defendeu as iniciativas do governo Temer em relação ao programa.

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"O Ciências sem Fronteiras é ótimo do ponto de vista de acesso a cursos de doutorado e mestrado, mas eu como gestor público jamais vou avalizar um programa que no ano de 2015 investiu R$ 3,7 bilhões para 35 mil alunos em intercâmbio no exterior e boa parte dos alunos saíram dos alunos saíram do Brasil, chegaram lá (no exterior) e se depararam com a realidade, não por culpa deles, de que não sabiam falar inglês. Quando voltaram, as mesmas universidades que mandaram eles para o exterior não incorporaram a grade curricular feita no exterior com recursos do tesouro nacional. Eles custaram o mesmo para se investir em 39 milhões de crianças no programa de alimentação escolar. Esse tipo de coisa eu não vou conceber", disse. 

IMPEACHMENT E DÍVIDAS

Enquanto deputado federal, filiado ao DEM, Mendonça foi um dos articulares do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Aos empresários, ele destacou que o processo era um dos mais delicados da história do Brasil e que não se chegava ao fim sem "traumas ou sequelas". 

Ainda de acordo com o pernambucano, o processo de impeachment foi mais longo do que se desejava. O momento atual, segundo ele, requer institucionalidade por parte dos governistas e oposicionistas. 

"Exige de homens públicos responsabilidade e compromisso para que a gente possa superar esses obstáculos e recolocar o Brasil na boa direção.  O desafio é unir o Brasil, que infelizmente se encontra em uma situação muito complicada e difícil do ponto de vista econômico. Herdamos um País quebrado", apontou. 

De acordo com Mendonça, o ministério da Educação teve o orçamento reduzido em cerca de R$ 6,4 bilhões. "Inviabilizaria todos os programas do ministério e não permitiria sequer que eu chegasse ao final do ano honrando os compromissos das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao ministério. Falei com o presidente Temer que os ministérios da Fazenda e do Planejamento deveriam repor, no mínimo, R$ 4,7 bilhões para que a gente tivesse o mínimo de fôlego para levar adiante os compromissos", declarou. 

O ministro destacou que o Brasil investe mais em Educação do que outros países, mas que direciona os recursos de forma errada. 

"A gente herdou um quadro de dívidas que é astronômico. Só de compromissos assumidos no ministério da Educação, com o FNDE, tenho um passivo assumido de R$ 10,6 bilhões. A discussão é eterna com relação a recursos. Há uma inversão de prioridades. O acréscimento no investimento do ensino superior foi de R$ 30 bilhões nos últimos cinco anos. Para a educação básica, foi de R$ 10 bilhões. O orçamento do ministério da Educação foi triplicado em valores reais e era para ter resultados equivalentes, mas não foi o que aconteceu", declarou.

Aos empresários, Mendonça afirmou que defende a descentralização das ações, a aposta no ensino técnico e pregou a reforma do ensino médio como uma meta a ser alcançada nos próximos dois anos.

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