Segurança pública

Secretário defende Compaz e Pacto pela Vida de críticas de sociólogo

Murilo Cavalcanti, secretário municipal de Segurança Urbana, afirma que o Pacto pela Vida não morreu e destaca pioneirismo e eficiência do Compaz

Franco Benites
Franco Benites
Publicado em 25/09/2016 às 16:48
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O secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti, saiu em defesa do Pacto pela Vida e do Compaz depois que o coordenador do Núcleo de Pesquisas em Criminalidade, Violência e Políticas Públicas de Segurança da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), José Luiz Ratton, criticou os programas. Um dos criadores do Pacto, Ratton afirmou que o programa morreu e disse ter receio que o projeto implementado pela gestão Geraldo Julio (PSB) se transforme em um “clube bacana em área pobre”.

“Respeito muito o Ratton, mas ele foi infeliz. Critica o Compaz sem nunca ter ido lá. É um programa baseado em uma experiência realizada na cidade de Medellín, na Colômbia. Fui 23 vezes a Medellín e estive com as maiores autoridades da América Latina de enfrentamento à violência urbana. Eu, Raul Henry (PMDB, atual vice-governador) e Hugo Acero (sociólogo colombiano) concebemos o Compaz há oito anos em cima de uma iniciativa vitoriosa e o resultado obtido em seis meses é gratificante. O Compaz é a defesa da vida. A gente está lá todos os dias falando sobre a questão da violência”, declarou.

Fotos: Fernando da Hora
O Compaz do Alto Santa Terezinha recebeu o nome do ex-governador Eduardo Campos - Fotos: Fernando da Hora
Inauguração teve festas e apresentações esportivas -
Centenas de pessoas estiveram na unidade ontem -
O prefeito Geraldo Júlio, o governador Paulo Câmara e o deputado Jarbas Vasconcelos compareceram -
A viúva do homenageado, Renata Campos, e a primeira-dama do Recife, Cristina Melo, também foram -
Do lado de fora, professores municipais em greve fizeram protesto -
Os grevistas foram impedidos de entrar na rua por guardas municipais e policiais -

Na entrevista concedida ao JC e publicada neste domingo, Ratton afirma que o Compaz se parece com os Centros Sociais Urbanos (CSUs), mas com outra “roupagem”. A declaração também é refutada por Murilo Cavalcanti. “O Compaz não tem nada a ver com os CSUs. Ao contrário. A gente até vem recebendo críticas na campanha eleitoral da oposição por conta dos CSUs. O que a gente fez foi passar o trator por cima do CSU, que é uma proposta mofada, antiga. O Compaz é pioneiro e inovador”, destacou.

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O secretário municipal ainda defendeu a presença de moradores de diversos bairros no Compaz e não apenas a presença dos jovens da comunidade onde o equipamento está instalado. “A gente não quer que o Compaz vire gueto. O Centro da Juventude, em Santo Amaro, por exemplo, é um gueto. A gente quer a convivência dos bons com os ruins, quer pluralidade, e não um instrumento ideológico. O Compaz é um espaço de reflexão sobre essa cidade violenta que a gente tem”, afirmou.

PACTO PELA VIDA

Ao fazer a defesa do Pacto pela Vida, Murilo Cavalcanti questionou as ações do governo federal no combate à violência. “Ratton foi infeliz. A conta que ele deveria fazer é como Pernambuco estaria se não tivesse o programa. Ele, que tanto defendeu o governo Dilma Rousseff (PT), deveria dizer como está o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Cadê o Pronasci? O que foi que o governo do PT fez de enfrentamento à violência? O que Pernambuco está vivendo (índice de violência) é o que o Nordeste está vivendo”, declarou.

Ainda de acordo com o secretário municipal, há 15 dias ele se reuniu com o governador Paulo Câmara (PSB) e entregou uma lista com 20 itens que podem ajudar a recolocar o Pacto pela Vida nos trilhos. Criado em 2007 por Eduardo Campos, o programa não tem tido o mesmo efeito de antes. “Concordo que a gente vive um momento difícil, mas o Pacto pela Vida não morreu. É uma boa política, mas precisa urgentemente de correções. Estive com o governador há 15 dias e ele falou que vai fazer as correções devidas e tomará as providências”, enfatizou.

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Defensor da parceria entre a “mão dura” e a “mão social”, como classificou as ações repressivas e preventivas, Murilo Cavalcanti também viu as críticas de Ratton como um elemento da disputa eleitoral para a prefeitura do Recife. “Ele é um cara estudioso e qualificado, mas tem duas doenças. A primeira é a vaidade. Se fosse ele que tivesse feito o Compaz, o projeto seria a melhor coisa no mundo. O outro mal de que é acometido é a questão ideológica. Tudo bem que ele defenda um segmento político, mas ele é o principal formulador da proposta de segurança pública do candidato a prefeito Edilson Silva (PSOL)”, destacou.

Da Holanda, Ratto conversou por telefone com a reportagem do JC e se defendeu. "Contribuí (com Edilson Silva). Isso é público. Tenho muito respeito pela figura do secretário, mas ele está confuso. A minha crítica é de natureza técnica. Faria essa análise qualquer que fosse o governo e de qualquer orientação partidária. A minha crítica está baseada em evidência e fatos e na compreensão que tenho da violência e do crime no Recife e em Pernambuco", afirmou.

GOVERNO E OPOSIÇÃO

O governo estadual foi procurado para responder às declarações de Ratton, mas a assessoria do governador Paulo Câmara informou que ninguém iria comentar o assunto.

Já a oposição, liderada pelo deputado estadual Silvio Costa Filho (PRB), que é candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por João Paulo (PT), aproveitou a entrevista de Ratton para divulgar uma nota criticando as ações das gestões do PSB na área de segurança. 

Os oposicionistas afirmam que “a população é refém da omissão de Paulo e Geraldo” e e ressaltam que as declarações do sociólogo confirmam o que a bancada vem apontando há dois anos na Assembleia.

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