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Dirigentes do PT dizem que Humberto priorizou 'inimigo' com entrevista

Para petistas pernambucanos, senador escolheu a estratégia errada

Franco Benites
Franco Benites
Publicado em 21/02/2017 às 6:32
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Para petistas pernambucanos, senador escolheu a estratégia errada - FOTO: JC Imagem
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As declarações do senador Humberto Costa (PT) à revista Veja despertaram a ira de boa parte da militância do PT, mas a bronca não se restringiu ao conteúdo da entrevista. Boa parte dos militantes do partido e dos dirigentes questionou o “canal” escolhido para as avaliações do pernambucano. 

O escritor Fernando Morais, amigo pessoal do ex-presidente Lula (PT) e autor consagrado por  biografias como as de Olga Benário, Assis Chateubriand e Paulo Coelho, usou da ironia ao comentar a entrevista em sua página no Facebook. “Agacha, sacode a poeira, dá a volta por baixo”, escreveu. 

“Acho que não era o melhor canal que existe na imprensa brasileira, por todo o papel articulador da retirada do poder da presidente Dilma Rousseff (PT),  uma presidente honesta. Mas a principal questão é o conteúdo”, disse o ex-prefeito João da Costa (PT). 

O ex-deputado federal Fernando Ferro (PT) classificou a Veja como uma “tradicional inimiga” dos petistas. “Estranhei muito isso partindo do senador. Me parece que a entrevista é mais para atender uma plateia conservadora, fascista e reacionária. Não vamos conseguir melhorar a imagem do PT tentando passar essa ideia que ele tentou passar com a entrevista. Foi lastimável”, classificou.

Embora tenha ressaltado que Humberto colocou no debate assuntos importantes, Dilson Peixoto, assessor do senador, reclamou da opção pela Veja. “O veículo foi inapropriado até pela história da revista”, disse. A deputada estadual Teresa Leitão (PT) fez análise semelhante. “Usar uma revista que é oposição sistemática (ao PT) como é a  Veja é muito ruim”, opinou.

POSICIONAMENTO CALCULADO

Para Juliano Domingues, professor e pesquisador da área de Comunicação e Política da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), avaliou a entrevista de Humberto como um posicionamento calculado. “As ‘páginas amarelas’ da Veja são um espaço de enorme visibilidade. Qualquer grupo ou líder que pretenda influenciar a chamada opinião pública não pode se dar ao luxo de abrir mão desse espaço”, declarou.

O pesquisador lembra que outros nomes do PT, como Paulo Bernardo (PR) e Jaques Wagner (BA), já foram ouvidos pela Veja. Sobre autocrítica sugerida por Humberto, Juliano Domingues destaca que o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), propôs algo semelhante em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, publicação online ligada à esquerda. “Humberto, falando à Veja, porém, provocou uma repercussão bem maior”, afirma.

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