Crise na segurança

Combate-se o crime com prevenção, alerta promotor

Marcellus Ugiette critica a redução de programas sociais no Pacto pela Vida, como o Atitude, para usuário de droga

Editoria de Política
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Publicado em 22/02/2017 às 7:00
Chico Porto/Acervo JC Imagem
Marcellus Ugiette critica a redução de programas sociais no Pacto pela Vida, como o Atitude, para usuário de droga - FOTO: Chico Porto/Acervo JC Imagem
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O promotor de Execuções Penais no Recife, Marcellus Ugiette, acredita que os bandidos se utilizam da fragilidade dos sistemas de segurança para atuar. “Os grupos procuram os locais aparentemente mais vuneráveis”, observou ao comentar a ação cinematográfica de bandidos, na Avenida Recife, na madrugada de terça-feira (21/02), que deixou bairros da Zona Oeste da capital em pânico e roubou R$ 60 milhões de uma empresa de vigilância. “Demonstra que a gente está frágil e vulnerável”. Para o promotor não basta reprimir o crime, mas evitá-lo com políticas sociais permanentes. Pernambuco vive uma onda de ataques a caixas eletrônicos, assaltos a ônibus e aumento dos homicídios.

Para Ugiette, não é um bom argumento dizer que outros Estados estão sendo atingidos. “A gente tem que cuidar da nossa casa”, observou. Na opinião do promotor, a violência tem muito a ver com o contrato social do Estado (organização política) estabelecido com as políticas sociais básicas, de combate às drogas, do tratamento dos dependentes químicos, por exemplo. “Essas políticas sociais são abandonadas quando as instituições estão em momento de crise”, critica, lembrando que o Programa Atitude e outros de alcance social e de prevenção, presentes no Pacto pela Vida, foram relegados para o segundo plano em Pernambuco.

“Tem que haver uma política social de base, nas periferias, para não só combater o crime com as farda e a repressão, mas também com a prevenção. Evitar o crime é muito melhor do que combater o crime. A gente tem que evitar a prática criminosa”. Para isso, defende um conjunto de ações. “É preciso fortalecer as secretárias de âmbito social, secretarias de combate às drogas, de juventude, desenvolvimento social, destinar recursos para que possam atuar na prevenção, não deixar o crime acontecer”. Para ele, também não há uma unificação das inteligências das policias, do Ministério Público e do Judiciário.

Reinserção social é política de segurança pública

É fundamental, também, não deixar entrar armas e celulares nos presídios. “O preso que usa o celular pode ter contato com grupos, facções e gangues. Pode haver prática de crimes dentro e fora dos presídios”, admite. “ O processo de reinserção social é também de segurança pública. Passa por uma nova política de encarceramento e desencarceramento responsável. Não preparamos o cidadão para devolvê-lo à sociedade. O preso, sai e volta”.


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