Olinda

Antônio Campos critica os cem primeiros dias do governo Lupércio

Irmão do ex-governador Eduardo Campos diz que prefeitura não apresentou 'medida estruturante' nesse período

Da editoria de Política
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Publicado em 18/04/2017 às 18:14
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Irmão do ex-governador Eduardo Campos diz que prefeitura não apresentou 'medida estruturante' nesse período - FOTO: Divulgação
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Se a Câmara Municipal de Olinda não dá maiores dores de cabeça ao prefeito Lupércio do Nascimento (SD), o advogado Antônio Campos (sem partido) resolveu tomar essa tarefa para si. Adversário do atual gestor municipal na eleição de 2016, quando concorreu à prefeitura pelo PSB, o irmão do ex-governador Eduardo Campos divulgou uma nota nesta terça-feira (18) em que diz que Lupércio não apresentou nenhum choque de gestão em cem dias de governo.

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Essa não é a primeira vez que Antônio Campos centra fogo em Lupércio do Nascimento. O advogado já recorreu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) para que a prefeitura de Olinda suspendesse uma licitação de merenda escolar para as escolas municipais da cidade.

Confira, a seguir, a carta de Antônio Campos com críticas aos cem dias da gestão Lupércio do Nascimento

ARTIGO /// ANTÔNIO CAMPOS

Após 100 dias, a gestão do prefeito Lupércio não apresentou uma medida estruturante sequer para os graves problemas que a cidade enfrenta. Olinda clama por uma nova agenda para enfrentamento dos seus principais desafios: saúde, educação, segurança, macro e micro drenagem, mobilidade, turismo, cultura, carnaval e patrimônio histórico.

Com um rombo financeiro que diz ser da ordem de R4 149 milhões deixados pela gestão do PC do B, Lupércio, até a presente data, não tomou nenhuma medida legal para ressarcimento dos prejuízos causados ao povo de Olinda ou apuração. A falta de atitude tem sido uma forma sutil de conivência.

O olindense não sabe qual o rumo que será dado para melhorar a gestão da saúde, reativação dos postos dos bairros e estruturação do atendimento hospitalar, bem como a volta do funcionamento da maternidade Brites de Albuquerque. E, nesse curto período, a pasta já passa pelo segundo secretário.

A educação começou com um escândalo. O Tribunal de Contas do Estado abriu auditoria para apurar dispensa de licitação no fornecimento de merenda escolar à rede municipal.

Na área da segurança, os assaltos a ônibus sem repetem em pontos críticos como proximidades do Matadouro de Peixinhos, Avenida Perimetral, Integração de Ouro Preto, Águas Compridas e Cidade Tabajara.

O crime organizado, ligado ao tráfico de drogas, tem proporções em Olinda superiores à média de Pernambuco, que por sua vez tem alarmado a população de todo Brasil. O município até o presente data não apresentou uma iniciativa eficaz para dar início ao combate à violência e a criminalidade.

A atual gestão não deu um passo sequer para a elaboração de Plano de Macro e Micro Drenagem da cidade. Apesar das medidas paliativas de limpeza de canais e galerias, anunciadas com estardalhaço, a cidade continua a sofrer com os alagamentos. As primeiras chuvas de inverno repetem as cenas de uma cidade com inundações em toda parte e áreas de risco abandonadas. Trata-se de um problema grave que não se resolve da noite para o dia. Mas, assusta o fato do assunto não ser tratado com a profundidade e a seriedade que merece.

O mesmo se repete com a questão da mobilidade. Questão recorrente nos principais bairros de Olinda, a mobilidade urbana tem em Olinda como principal desafio a Avenida Presidente Kennedy – maior corredor de transporte do município. Os moradores, comerciantes e profissionais do volante continuam sem saber o que a prefeitura pretende fazer na Kennedy, prometida como obra prioritária da gestão.

Com relação ao turismo, cultura e o carnaval permanecem as mesmices de sempre. A prefeitura, em todo momento que é acionada, tem demonstrado sua incapacidade de entender a importância do setor de serviços e a economia criativa na geração de empregos para os olindenses.

O patrimônio histórico de Olinda está ameaçado e abandonado. Pedi ao Tribunal de Contas do Estado que realize uma auditoria de conformidade no sistema municipal de preservação diante uma prefeitura calada, sem propostas de soluções e sem um plano para cuidar do que há de mais simbólico na cidade, que é sua história, traçado urbanístico e arquitetura.

O prefeito não mandou um projeto de lei relevante para a Câmara Municipal. Mais do que nunca chegou o momento de fortalecer o papel da sociedade civil. Só uma grande mobilização com o objetivo de ouvir os olindenses para trabalhar e planejar um futuro melhor para a cidade. Uma nova agenda, participativa, melhor qualificada e com propostas estruturadoras. Olinda merece. Vamos cobrar e lutar por ela.

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