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PT e PSB amparando as arestas

Visitas de Haddad e Lula a comando local socialista soam como gesto de reaproximação dos partidos, afastados desde 2014

Marcela Balbino
Marcela Balbino
Publicado em 27/08/2017 às 8:01
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Visitas de Haddad e Lula a comando local socialista soam como gesto de reaproximação dos partidos, afastados desde 2014 - FOTO: Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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“É a reconstrução de uma ponte que foi avariada. Não destruída, mas danificada”. A leitura é de um palaciano sobre os gestos entre o PSB e o PT no Estado, que ganhou corpo após o encontro do ex-presidente Lula (PT) com a ex-primeira-dama Renata Campos (PSB). Até 2013, as duas legendas integravam o mesmo arco de alianças, mas o lançamento do ex-governador Eduardo Campos (PSB) para a presidência azedou de vez a relação. Nos bastidores, há quem aposte na união com o PT. Os socialistas que articulam o movimento têm, inclusive, o apelido de toranjas, uma fruta amarela por fora e vermelha por dentro. É a reedição do queijo do reino, termo cunhado para definir os petistas que queriam ir para o PSB.

A interpretação é que as conversas estão em fase embrionária, mas que a vinda do ex-prefeito de São Paulo (PT) Fernando Haddad, no início de agosto, e a de Lula soaram como gesto de afinidade. O entendimento é que ainda existem mágoas dos dois lados, mas que seria um “caminho natural” a união em 2018, em função da postura contrária ao governo Temer e por causa do alinhamento do DEM e PSDB. “A relação pessoal das lideranças dos partidos nunca foi arranhada. Isso foi colocado lá atrás pelo próprio Lula”, diz um socialista.

Apesar de algumas arestas precisarem ser aparadas dentro do PSB, como a definição do rumo do grupo dos Coelhos, já há socialista fazendo previsão que o PT deve subir no palanque com o PSB em eventual segundo turno (leia na Pinga Fogo).

“Normalmente, eleição acontece em dois turnos e essa aliança pode se dá neste segundo momento”, avalia um aliado de Paulo Câmara.

Nesta fervura entram ainda questões nacionais, como a discussão da candidatura própria do PSB – defendida por algumas correntes do partido – e a disputa de Márcio França ao governo de São Paulo, com o apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

CAMPO PESSOAL

“Algumas querelas no campo pessoal podem ser resolvidas. A estratégia é compor a frente para combater esse desmonte e fortalecer o patrimônio público e as minorias”, pontuou. Alguns avaliam que é precoce a aproximação, tendo em vista que Lula está na mira na Justiça e pode não ser candidato. Alas do PT trabalham com o nome da vereadora Marília Arraes (PT) para a disputa ao governo. Durante a passagem de Lula, ela ficou ao lado do ex-presidente em todas as agendas. Socialistas mais próximos ao PT avaliam que a sigla precisa se recuperar e lançar candidatura própria.

Sobre a conversa com o ex-presidente Lula, na última quinta, o governador Paulo Câmara classificou a aliança do petista na época do governo Eduardo como “fundamental para Pernambuco avançar” e emendou que é preciso respeitar as pessoas com experiência. “Isso não significa ser um apoio”, disse. O caminho para as urnas ainda é longo e cheio de obstáculos, mas a leitura é que a pinguela atual pode virar uma ponte bem firme.

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