Disputa interna

Após novo pedido de dissolução do MDB de Pernambuco, Raul Henry garante que não desistirá do partido

Solicitação foi protocolada pelo advogado criminalista de Cupira Golbery Lopes, desafeto do vice-governador

Da Editoria de Política
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Publicado em 22/02/2018 às 17:22
Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Solicitação foi protocolada pelo advogado criminalista de Cupira Golbery Lopes, desafeto do vice-governador - FOTO: Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
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Um dia após tomar conhecimento da abertura de um novo pedido de dissolução do diretório pernambucano do MDB, o vice-governador do Estado e presidente local da sigla, Raul Henry, disse que ainda não tem conhecimento do teor da solicitação, mas que não vai desistir de lutar pelo comando do partido. Desde o fim de 2017, há uma disputa pelo comando do partido entre o  senador Fernando Bezerra Coelho, que quer ser candidato a governador, e o grupo do deputado federal Jarbas Vasconcelos, que apoia a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB).

De acordo com Raul, único pernambucano além do senador Romero Jucá, presidente nacional da legenda, a participar, na última quarta-feira (21), da reunião onde foi anunciada a abertura do novo processo, no encontro não foram divulgados detalhes acerca da solicitação, encaminhada à Executiva Nacional pelo advogado criminalista Golbery Lopes, de Cupira, no Agreste do Estado. "Ele (Jucá) apresentou (a solicitação de intervenção) dizendo que aquilo não era uma iniciativa dele, mas que ele tinha a obrigação administrativa de dar encaminhamento e que eu receberia as informações através de uma notificação formal. Ele não leu o conteúdo do pedido de dissolução. A verdade é que não existe nenhum fato novo, nós não descumprimos em nada o estatuto do partido. O outro pedido de dissolução está judicializado com decisões favoráveis a nós exatamente por isso, porque não há nenhum descumprimento nosso ao estatuto do partido. Eu repeti todos esses argumentos ontem", afirmou o emedebista.

DESAFETO POLÍTICO

Questionado se teria alguma ligação com o advogado que protocolou a nova peça, Raul contou que o partido chegou a iniciar uma movimentação em torno da pré-candidatura do filiado à prefeitura de Cupira, mas que depois o partido optou por apoiar a campanha do candidato do DEM, José Maria, que venceu a disputa. "Tivemos contato com ele quando fiz um esforço muito grande para que o partido crescesse no interior. Nós procuramos lideranças em todas as regiões do Estado e nos municípios onde a encontramos, fizemos isso. Foi nesse contexto que localizamos o nome dele lá em Cupira, mas a candidatura não se viabilizou. Não lembro detalhes, apenas que a candidatura dele não foi adiante porque ela perdeu a sustentação política naquele momento. Não houve da nossa parte nenhuma iniciativa de desestabilizá-lo", garantiu.

Apesar de representantes da Executiva Nacional do MDB já terem afirmado que o novo pedido de intervenção se fundamenta mais uma vez no que considera o baixo desempenho eleitoral da sigla no Estado, Raul foi enfático ao afirmar que só se pronunciaria sobre essa questão quando tivesse ciência do conteúdo da solicitação. "Eu não quero falar sobre isso porque eu não li o pedido de dissolução, então aí seria falar sobre uma hipótese que a gente não sabe se é ela, se é verdade. O fato é que o MDB de Pernambuco é a seção estadual que mais cresceu em 2016. Ela cresceu também em 2014 em relação a 2010. Então nós estamos numa perspectiva de crescimento, o partido tem vida orgânica, tanto que nenhum dos dois pedidos de dissolução foi de nenhum militante que tenha mandato pelo partido, o que mostra o quanto a legenda está unida, o quanto a sigla tem uma vida democrática hoje no Estado. Nós temos absoluta tranquilidade em relação a isso".

Em entrevista ao JC, o vice-governador mais uma vez não poupou críticas ao senador Fernando Bezerra Coelho, com quem disputa o comando da legenda. "Sua entrada no partido foi deselegante, desleal, traiçoeira e oportunista", disparou. Em resposta às acusações, o parlamentar disse: "Lamento que o vice-governador insista numa versão que não encontra apoio na realidade dos fatos que antecederam o meu ingresso no MDB, por convite da direção nacional. As agressões pessoais são próprias dos que não têm argumentos".

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