ENTREVISTA

Não me sinto pressionado, diz João Campos

João Campos responde sobre Bolsonaro, Lava Jato e candidatura a prefeito em 2020

Paulo Veras
Paulo Veras
Publicado em 16/10/2018 às 8:01
Foto: reprodução do Facebook
João Campos responde sobre Bolsonaro, Lava Jato e candidatura a prefeito em 2020 - FOTO: Foto: reprodução do Facebook
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Herdeiro político do ex-governador Eduardo Campos e eleito deputado federal em votação recorde com mais de 400 mil votos, João Campos (PSB) fala sobre o futuro e os desafios que deve encarar no Congresso Federal, em entrevista ao Jornal do Commercio.

JORNAL DO COMMERCIO - O PSB elegeu três governadores, disputa em outros quatro estados e fez uma bancada de 32 deputados. Após uma eleição marcada por uma onda à direita, qual o papel do partido na esquerda nacional?

JOÃO CAMPOS - O fortalecimento do PSB nas urnas deixou uma resposta muito clara de que a nossa gestão à esquerda foi muito bem aceita pelo povo. É possível construir governos de esquerda com gestões eficientes, que prezam pela qualidade do gasto público, que não abrem mão dos valores democráticos e olham, sempre, para os que mais precisam. Nacionalmente, o PSB tem o papel importante de ajudar na construção da frente democrática para enfrentar uma candidatura que representa o oposto desses valores que defendemos para o Brasil.

JC - Você teve a maior votação de um deputado federal em Pernambuco, com 460 mil votos. Como você vê a pressão sobre o seu desempenho como deputado?

JOÃO - Acima de tudo, quero agradecer a cada um dos 460.387 votos de confiança. Muito me honra ser reconhecido como alguém que pode continuar a luta que já teve a participação de Eduardo Campos e Doutor Arraes. Não me sinto pressionado. Sei o tamanho da responsabilidade, mas estou muito animado e disposto para retribuir a cada voto com muito trabalho e respeito ao povo.

JC - O seu nome é constantemente lembrado para outras disputas, inclusive para a Prefeitura do Recife em 2020. Você pretende disputar cargos majoritários no futuro?

JOÃO - Acabei de ser eleito para cumprir um mandato de deputado federal e meu foco hoje é trabalhar por todos os pernambucanos retribuindo a confiança em mim depositada. Findo o processo eleitoral, as pessoas vão nos cobrar por uma atuação comprometida com os interesses sociais. Fizemos uma campanha propositiva, destacando as principais áreas de atuação, como está especificado na plataforma Nossas Lutas, criada durante a campanha com a contribuição de pessoas de diversos segmentos e disponível nas minhas redes sociais. Mas quero deixar claro: eu sempre disse que a minha militância política não depende de cargos proporcionais ou majoritários. Aprendi a fazer política seguindo ideais e sonhos.

JC - Se Haddad for eleito, o PSB deve participar do governo. Mas qual deve ser a posição do PSB em um eventual governo Bolsonaro?

JOÃO - O PSB já declarou apoio programático à candidatura de Fernando Haddad, reunindo as forças de esquerda que defendem a luta incansável pela redução das desigualdades sociais e as conquistas do povo brasileiro, assim como o fortalecimento da democracia. Não vamos fazer avaliações considerando uma vitória do nosso adversário. O segundo turno está começando agora e acreditamos na vitória da frente democrática que está crescendo cada vez mais.

JC - Em 2019, o Congresso deve se posicionar sobre a grave situação fiscal da Previdência. Qual o modelo que você defende para as aposentadorias?

JOÃO - Acredito que o congresso deve esgotar todos os canais de diálogo com os diversos setores da sociedade antes de formular qualquer modelo da reforma da previdência. Acho que o conjunto dos parlamentares precisa discutir uma reforma da previdência com racionalidade técnica e política, olhando o futuro e não o fechamento do caixa do presente exercício. Mas, principalmente, é importante que se faça essa construção do diálogo. Só desta forma, as injustiças não serão cometidas contra o povo brasileiro. É muito ruim quando a gente olha para trás e vê uma proposta de reforma da previdência com graves distorções sociais, como a proposta que estava colocada pelo Governo Temer. Tudo isso é fruto de uma construção verticalizada, feita sem ouvir o conjunto da sociedade.

JC - Como você enxerga a Lava Jato? Ela tem atuado corretamente ou há excessos?

JOÃO - Não só eu, mas o nosso partido, o PSB, defendemos as investigações da operação Lava Jato. É preciso que se apure o que for dito sobre qualquer pessoa. Caberá a quem acusa o ônus da prova e aos investigados o direito da ampla defesa. Obviamente que se houver algum excesso, que sejam observadas as devidas correções e reparações com base nos direitos e garantias da nossa Constituição.

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