Governo

Bolsonaro define ministérios e opta por nenhum nordestino

FHC (PSDB), Lula (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) nomearam um número expressivo de ministros nordestinos e pernambucanos

Anna Tenório, Paulo Veras e Renata Monteiro
Anna Tenório, Paulo Veras e Renata Monteiro
Publicado em 11/12/2018 às 9:09
Foto: AFP
FHC (PSDB), Lula (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) nomearam um número expressivo de ministros nordestinos e pernambucanos - FOTO: Foto: AFP
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Apesar de inicialmente ter prometido estruturar um governo com 15 ministérios, o presidente diplomado, Jair Bolsonaro (PSL), não conseguiu se desfazer de algumas pastas. Dos 22 nomes anunciados por ele como auxiliares, uma característica chama a atenção na composição do primeiro escalão: a ausência de nordestinos. Em suas posses, os quatro últimos presidentes do País, de Fernando Henrique Cardoso a Michel Temer, não só escalaram nordestinos para a linha de frente, como possuíam pernambucanos entre os escolhidos.

No Nordeste, ele obteve 30,3% dos votos válidos no segundo turno contra Fernando Haddad (PT), o equivalente a 8,8 milhões de eleitores. Contou com apoios de peso, como o prefeito de Salvador (BA), ACM Neto (DEM).

De acordo com a avaliação do cientista político Vanuccio Pimentel, os critérios elencados por Bolsonaro nas suas contemplações não seguem uma lógica nem partidária e nem regional. “No presidencialismo de coalizão, quando o presidente montava os governos, ele levava em conta a base parlamentar do Congresso e também a representatividade regional. Então, você sempre tinha nordestinos em algum ministério, você sempre tinha uma representatividade regional, isso não tem no governo dele”, disse. 

Ao chegarem à Presidência, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) nomearam um número expressivo de ministros nordestinos e pernambucanos para ocupar o primeiro escalão da Explanada dos Ministérios. Em 2015, Dilma nomeou dez nomes do Nordeste para o comando de ministérios e outros três titulares que, apesar de terem nascido em cidades da região, fizeram carreira política em outros Estados. 

 

 

Em 2016, Michel Temer (MDB) escolheu Bruno Araújo (PSDB), Fernando Filho (à época no PSB), Mendonça Filho (DEM) e Raul Jungmann (então no PPS) – todos pernambucanos – entre os nove ministros nordestinos que indicou. Natural do Recife, mas eleito senador por Roraima, Romero Jucá (MDB) também foi escolhido, para chefiar o Planejamento.

Campanha

A falta de nomes nordestinos no próximo governo levou até a uma campanha nas redes sociais. O deputado federal pernambucano reeleito Fernando Monteiro (PP) encampou, logo após o segundo turno, no final de outubro, a hashtag #eonordestepresidente?.

O PP, de Monteiro, abrigou Bolsonaro até 2015 e foi ignorado na formação do ministério. “Não é que eu acredite que porque o Bolsonaro não ganhou no Nordeste que ele vá retaliar essa parte do País, não acredito. Ele hoje é presidente de todos os brasileiros, e do povo Nordestino também. Estou apreensivo porque nós estamos a um mês da posse e eu não ouvi nenhuma palavra do presidente eleito sobre o Nordeste”, justificou Fernando Monteiro. 

Ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, o senador Armando Monteiro (PTB) diz não acreditar que a ausência de nordestinos possa, por si só, prejudicar a região. O petebista pondera, porém, que Bolsonaro precisa explicitar quais os planos de desenvolvimento que elaborou para essa área do País, uma vez que, segundo ele, “mais importante do que as pessoas são as políticas”.

“Eu considero que seria muito melhor que houvesse uma participação nordestina, não tem como deixar de reconhecer, mas acho que isso não significa em si mesmo um prejuízo irreparável, se o governo for capaz de oferecer e explicitar políticas de desenvolvimento regional adequadas, para que a região possa ter uma posição que garanta a correção de desníveis regionais”, argumentou Armando.

O parlamentar cobrou, ainda, o posicionamento do militar da reserva a respeito de temas como o papel dos bancos regionais, a conclusão de grandes obras estruturantes e qual a política industrial que pretende implementar.

Procurada pela reportagem, a secretaria de Imprensa do governo de Pernambuco informou que o Palácio do Campo das Princesas não se pronunciaria sobre o tema.

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