FAZER DIFERENTE

Políticos fazem processo de seleção para contratar assessores

A seleção visa escolher os profissionais que vão trabalhar ligados aos gabinetes dos deputados federais

Angela Belfort
Angela Belfort
Publicado em 27/01/2019 às 7:01
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
A seleção visa escolher os profissionais que vão trabalhar ligados aos gabinetes dos deputados federais - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Pode ser “pouco”, mas alguns marinheiros de primeira viagem estão fazendo diferente na escolha da equipe para a próxima legislatura da Câmara dos Deputados, em Brasília. Estão realizando seleção pública para assessores de gabinetes. O recrutamento para a ocupação desses cargos era atribuição exclusiva dos políticos ou dos seus partidos. “É a forma como sempre contratei gente. Não conheço outra maneira que permita uma avaliação plena do candidato”, diz o deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG), que contratou os seis assessores do seu gabinete desta forma.

Os seis contratados por Tiago correspondem a 100% dos secretários parlamentares que vão iniciar a próxima legislatura com o parlamentar. “Dependendo da demanda, devo trazer mais pessoas para trabalhar no gabinete”, conta. Ele pretende ocupar, no máximo, dez cargos dos 25 previstos pelo regulamento. “Não precisa nem a metade (d0s 25), considerando que a Câmara também tem os consultores legislativos, e os partidos também têm suas estruturas lá”, diz Tiago.
Antes de virar político, ele trabalhava como executivo da Fundação Estudar, do empresário Paulo Lemann. O estreante tem no currículo uma pós-graduação concluída em Harvard como bolsista. Harvard é uma das universidades mais conceituadas dos Estados Unidos.

O movimento de renovação política Acredito também fez uma seleção pública para escolher 30 secretários parlamentares que vão atuar nos gabinetes dos deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP), Felipe Rigoni (PSB-ES) e do senador Alessandro Vieira (Rede-SE). “É do nosso interesse ter as melhores pessoas trabalhando com a gente. E sei que, se me restringisse ao meu circulo de amigos, a equipe não seria tão diversa. Essa galera fez prova, entrevista, enviou vídeo. São pessoas com histórias incríveis”, resume Tabata Amaral, uma das co-fundadoras do Acredito.

Cerca de 16 mil pessoas participaram do processo seletivo do Acredito. Das 30 vagas preenchidas pelo processo seletivo, seis vão ficar no gabinete de Tabata, que vai começar a funcionar com 11 asssessores. “As vagas mais complexas foram para a seleção. Os cargos mais simples foram de pessoas que adquiriram a confiança durante a campanha”, comenta Tabata, 24 anos, explicando alguns casos nos quais é preciso ter uma pessoa de confiança, como por exemplo alguém que fique com a sua senha para resolver questões pessoais.
Ela foi aluna de escola pública na periferia de São Paulo, acabou conseguindo bolsas que bancaram os seus estudos, inclusive em Harvard, onde concluiu a graduação. E, no último pleito, ficou em sexto lugar entre os deputados federais mais votados de São Paulo, com 264.450 votos. Os eleitos ligados ao Acredito estão fazendo outra inovação: compartilhar vagas. Por exemplo, vão contratar um analista de dados para trabalhar no gabinetes dos três parlamentares.

De tradicional família de políticos, o deputado federal eleito João Campos (PSB-PE), 25 anos, também abriu um processo de seleção para contratar quatro assessores, o que corresponde a 30% dos 13 assessores que vão começar a trabalhar ligados ao gabinete dele. Desse total, quatro vão ficar em Brasília, nove, no Recife. “O nosso interesse é encontrar grandes quadros, interessados em participar do dia a dia do Congresso Nacional, aproximando pessoas que queiram colaborar com a política”, diz.

Ele foi o candidato à Câmara mais votado de Pernambuco, com mais de 460 mil votos e é o único que optou por esse modo de contratação entre os deputados federais eleitos pelo Estado.  As inscrições para o processo seletivo que vai escolher os assessores do gabinete do socialista estão abertas até o dia 27 de janeiro. O filho do ex-governador Eduardo Campos usa o site de trabalho para este fim: deputadojoaocampos.com.br.

VERBA

Na Câmara dos Deputados, cada parlamentar tem direito a uma verba de R$ 111,6 mil por mês para pagar, no máximo, 25 secretários parlamentares, nome oficial do assessor que não pertence ao quadro da Casa. O pagamento é feito pela Câmara diretamente aos assessores. Caso o parlamentar nomeie menos secretários, os recursos ficam na conta da Câmara, segundo a assessoria de imprensa daquela Casa.

Atualmente, há 10.866 secretários parlamentares, com salários que vão de R$ 1.025,12 até o limite de R$ 15.698,32. Atualmente, há uma uma média de 21,18 assessores nos 513 gabinetes. Em 2018, a Câmara custou R$ 5,5 bilhões ao contribuinte. Desse total, R$ 4,5 bilhões (o que representou 82,3%) foram empregados para bancar as despesas com pessoal.

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