Eleições 2020

Igor Maciel: Oposição ainda não existe no Recife

Existir é o resultado de uma equação com muitos fatores. Ter propósito definido é um deles. E apenas lutar contra o PSB não é propósito.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 03/02/2020 às 15:33
Foto: Marcelo Aprígio/JC Online
Existir é o resultado de uma equação com muitos fatores. Ter propósito definido é um deles. E apenas lutar contra o PSB não é propósito. - FOTO: Foto: Marcelo Aprígio/JC Online
Leitura:

Se todo mundo no avião, em pleno voo, resolve ser piloto, o avião cai. A oposição no Recife terá que entender isso, pra começar. É preciso respeitar o objetivo pessoal de todos, é verdade. É necessário entender que Daniel Coelho (Cidadania), Mendonça Filho (DEM), Patrícia Domingos, Marco Aurélio (PRTB) e todos os outros que já se apresentaram pra disputar a eleição no campo da oposição têm seus planos de carreira.

Vamos ignorar, por uma questão de bom senso, a conversa mole sobre "missão de ajudar o povo", "destino de gerir a cidade", "desejo de fazer o bem pelo Recife". Isso tudo está na conta, claro, mas a verdade é que todos têm um plano de carreira. Querem assumir a prefeitura, graduar-se para o Governo do Estado, e tentar ser Senador, Presidente da República ou Astronauta.

Todos os trocentos candidatos podem pilotar, desde que haja trocentos aviões e espaço aéreo para eles. Não há isso. Então, alguém terá que servir café e água aos passageiros. Senhores políticos, acostumem-se. Vocês precisarão deixar de lado um pouco do orgulho e da "certeza de que são o melhor para a cidade". O grupo precisa se unir, trabalhar, e apresentar algo que possa ser consumido.

Sílvio Costa Filho (Republicanos) aproveitou o reinício das atividades parlamentares para afirmar que seguirá trabalhando nas pautas que abraçou em Brasília. Deu bom exemplo, deveria ser seguido por mais uns três ou quatro. Se vai embarcar com a oposição no futuro é outra história. Até porque a oposição, primeiro, precisa decidir o que quer para o Recife.

Enquanto não houver uma definição sobre o plano para o Recife, é como se a oposição não existisse. Existir é o resultado de uma equação com muitos fatores. Ter propósito definido é um deles. E apenas "lutar contra o PSB" não é propósito. Reclamar que o PSB está há muito tempo no poder é uma constatação, bem simplista por sinal, não é propósito também.

Plano para o Recife

Qual o plano para o Recife, qual a proposta para a cidade? Será uma administração voltada para retirar moradores dos morros ou estruturas essas áreas para uma vida sem riscos? O que vai ser feito para evitar alagamentos na cidade? Como o turismo será trabalhado para evitar que as pessoas desembarquem no Recife e vão embora para outras cidades sem gastar nada por aqui? Que atrações para além do carnaval a cidade pode oferecer? Como contribuir para a segurança dos recifenses?

E tem uma pergunta bem específica e bastante simples. Dos candidatos da oposição que tanto amor têm pelo Recife, quais estiveram envolvidos com o Plano Diretor da cidade, discutido na Câmara de Vereadores? Quais podem, agora, sem tempo para baixar o arquivo e estudar, opinar sobre o documento?

Ao invés de resposta para todas essas perguntas e muitas outras que não cabem aqui, o que se ouve é "vamos tirar o PSB" ou "quem será o candidato". Até agora, parece mais conversa de clube escolar e diretório acadêmico, não de um grupo político.

Últimas notícias