OLINDA

Após chamar polícia para Vacas Profanas, deputada afirma que desfile do bloco de Carnaval foi frustrado

Bloco é alvo de críticas por levar mulheres a desfilarem com seios à mostra

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 25/02/2020 às 13:08
Notícia
Foto: Roberto Soares/Alepe
Bloco é alvo de críticas por levar mulheres a desfilarem com seios à mostra - FOTO: Foto: Roberto Soares/Alepe
Leitura:

Autora do pedido para que a polícia comparecesse ao Vacas Profanas nessa segunda-feira (24), em Olinda, com a intenção de impedir que as mulheres desfilassem com os seios à mostra, a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC) afirmou que o desfile do bloco de Carnaval foi frustrado e parabenizou a Polícia Militar de Pernambuco pelo trabalho ostensivo.

» Contra seios à mostra, Clarissa Tércio chama a polícia para o bloco ‘Vacas Profanas’, em Olinda

» ‘Preparem as celas’, diz deputada sobre criminalização da homofobia

» Clarissa Tércio aciona MP contra mulher que mandou pastores “se f……” no festival ‘Lula Livre’

» Clarissa Tércio crítica ‘festival Lula Livre’ por participação de cantor que chamou Jesus de ‘bicha’ e ‘travesti’

“As mulheres presentes estavam vestidas, como em qualquer outro bloco carnavalesco”, disse Clarissa. “Parabenizo a Polícia Militar de Pernambuco, que atendeu a nossa solicitação e compareceu ao evento. Os militares estavam atentos para garantir o cumprimento da Lei”, pontuou a deputada.

Apesar da alegação da parlamentar, nas redes sociais do movimento há diversos vídeos que mostram que grande parte das foliãs aderiram ao movimento e tiraram as camisetas para o desfile. Em um deles, centenas de mulheres dançam de mãos dadas em uma ciranda, umas com os seios à mostra, outras não.

A Polícia Militar de Pernambuco esclareceu que "equipes da Ciatur foram lançadas para garantir a segurança do desfile do Bloco Femmi Vaca Profana", segundo nota. "O evento ocorreu dentro da normalidade e sem ocorrências", completou.

A reportagem do JC tenta entrar em contato com o Vacas Profanas para obter um posicionamento, mas ainda não obteve sucesso. 

Protocolamento

A deputada Clarissa Tércio (PSC) conta que protocolou pedido junto à Secretaria de Defesa Social (SDS) para que a polícia não somente acompanhasse mas, garantisse a ordem, conduzindo inclusive à delegacia, quem infringisse a Lei e cometesse atentado violento ao pudor. 

Segundo a parlamentar, os responsáveis pelo bloco remeteram pedido à polícia, para que fossem acompanhadas apenas por contingente militar feminino, o que não teria sido atendido.

Já a PM respondeu que a solicitação de efetivo feminino foi parcialmente atendida. "Nossas patrulhas foram mescladas, com homens e mulheres", informou a corporação.

Além da solicitação de Clarissa Tércio, o pastor Júnior Tércio, esposo da deputada, também se manifestou através das redes sociais através de um vídeo. Para ele, essa atitude, além de desrespeitar a Lei, também desrespeitava a família. “Respeitem a família brasileira. Respeitem a família pernambucana. Respeitem a família olindense”. Diz um trecho do vídeo.

“Deixo um recado as responsáveis pelo bloco e todos os adeptos a esse tipo de prática: Lutem para eleger seus representantes e alterem as leis. Mas, enquanto elas existirem, eu lutarei para que sejam cumpridas”, afirmou a deputada, após a frustação do bloco.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias