Bichos

Pet ciumento é bronca

Há animais de estimação que não deixam ninguém se aproximar do dono, nem mesmo familiares. Para reverter o comportamento agressivo do bichinho, melhor é buscar a ajuda de um adestrador

Janaína Lima
Janaína Lima
Publicado em 19/03/2012 às 18:59
Flora Pimentel/JC Imagem
Há animais de estimação que não deixam ninguém se aproximar do dono, nem mesmo familiares. Para reverter o comportamento agressivo do bichinho, melhor é buscar a ajuda de um adestrador - FOTO: Flora Pimentel/JC Imagem
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Normalmente, quando chegam num novo lar, os bichinhos se tornam o centro das atenções. Há quem apelide de filho, rei da casa, gordo, gostosa ou princesa. Tudo vai bem enquanto o pet entender qual o espaço dele. Quando isso não acontece, problemas de comportamento aparecem, como o ciúme exagerado do dono. A atitude – que pode até ser fofa no início – tende a piorar com a idade e os transtornos podem ser grandes.

A veterinária Rejane Azevedo explica que esse tipo de comportamento é uma consequência do que o cão aprendeu no dia a dia. “Muitas vezes quando o dono superprotege o animal, ele percebe e acha que nada pode acontecer com aquela pessoa. Então, ao menor sinal de ameaça, ele pode morder, atacar.” Nada disso é patológico, mas, sim, comportamental, ela frisa.

E se é tudo uma questão de aprendizado, o problema pode ser revertido. É o que garante a adestradora Aina Bosh. Especialista em distúrbios de comportamento de cães, ela explica que o ciúme está relacionado às questões de domínio. “O animal coloca o dono dentro de um grupo de coisas que pertence a ele, entende? Ele se apropria da pessoa”, explica Aina. De acordo com a especialista, há raças mais propícias a isso e a personalidade do animal também contribui. “No entanto, regra geral, isso fica estabelecido na relação com o dono.”

Quem concorda é a produtora cultural Gertrude Lins, 53 anos. Seu poodle Jean-Luc Godard chegou na casa dela novinho, com três meses. Hoje, com oito anos, precisou passar por um processo sério de adestramento. “Ele só obedece a mim. Já mordeu todo mundo dentro de casa. E, no auge do problema, chegou a atacar meu tio Celso Marconi seriamente, que também cuida e gosta muito dele”, conta Gertrude. Ela confessa que Luc foi criado com todas as regalias. Acesso total à casa, à cama e a tudo que desejasse.

“Luc mordeu meu tio quando ele desligava a TV, e me assustei. Na época, me pediram para sacrificá-lo. Mas resolvi falar com a adestradora Aina e ela me ajudou. Hoje, a rotina de Luc mudou. Ele continua não sendo um cão fácil, mas está bem melhor.”

Já na casa da advogada Isabela , a chow chow Kia guarda a porta do quarto da dona como um distinto segurança particular. “Ninguém pode entrar. Ela fica atrás da pessoa. Mordiscando o tornozelo.” O ciúme que demonstra ter por Isabela se estende também à casa. “Quando recebo amigos, ela não deixa ninguém ir lá pra dentro sozinho. Vai atrás, como se estivesse vigiando, sabe? É uma figura.”

E engana-se quem pensa que a ciumeira no mundo animal é privilégio dos cãozinhos. Na casa do livreiro José Alventino Lima, 70, o ciumento é o papagaio. Fernandinho não permite que ninguém chegue perto de Seu Zezito – como é chamado pelos mais próximos.

“Não tem jeito, ele não deixa mesmo. Fica agressivo, arma as asas e tenta bicar quem chega perto. Acho que é porque é muito apegado a mim. Fernandinho é bacana, é uma companhia. Converso com ele e ele entende, viu?”, conta, rindo. A verdade é que dos casos mais leves aos mais graves o importante é ficar atento e procurar ajuda. “O quanto antes, melhor”, diz Aina.

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