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As armadilhas no caminho dos que não têm um par

Festas em família, encontros com amigos e até entrevista de visto podem ser veradeiras arapucas

Flávia de Gusmão
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Flávia de Gusmão
Publicado em 27/08/2012 às 15:08
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O Dia do Solteiro passou (foi no 15 de agosto). E eu fiquei apenas calada. Não são poucas as armadilhas que se apresentam no caminho dos que não têm um par. A maioria delas é colocada, inclusive, para dar aquele “efeito arapuca”: um susto, um grito e pêi! Lá está você dentro dela, como uma presa que estava com o sexto sentido prejudicado. Não vou nem me estender muito pelas mais óbvias, apenas citá-las.

Por demais divulgadas, por exemplo, são as festas em família, especialmente se você é bonificada com um desses núcleos familiares que parecem colados com superbonder – com casamentos que remontam ao Antigo Testamento – e aparentemente você é o único a ter herdado um DNA com defeito na cola do matrimônio. Não que você não tenha tentado, uma, duas, até três vezes, ou mais, no entanto, o negócio não vai, não gruda, pelo menos não da forma como as pessoas esperam. Eu, por exemplo, considero oito anos tempo pra burro (sem intenção alguma de trocadilho), mas as pessoas não parecem concordar. Ou é a vida toda, ou nada. Gente implicante.

E toda vez que eu relato períodos de validade que já chegaram perto de uma década, um parelha olha para a outra com cara de desconsolo, esfregando na minha cara os seus 25 anos de casados e ainda contando. Humpf. Nem me incomodo mais com esse tipo de provocação, do mesmo modo que atravesso, impávido colosso, os aniversários dos filhos/netos das amigas; o extenuante Dia dos Namorados; a chatice de procurar me ajustar à agenda dos amigos que são casados, sem dar muito trabalho.

Ser solteiro em meio a uma diversificada Arca de Noé lhe transforma praticamente num vegetariano, todo mundo tenta lhe encaixar em algum lugar da mesa, mas não sabe exatamente como agradar sem forçar a barra. A turma lhe cerca de cuidados, mas, a verdade mesmo é que dá um trabalhão lhe manter no rol das amizades. High maintenance.

Não me incomodo mais com tudo isso, como ia dizendo. O problema aí é da plateia. Mas são os estratagemas de surdina para lançar a solteirice de volta na sua cara que me deixam meio irritada. Por exemplo, um dia desses, em busca de um visto, uma amiga, depois de responder diligentemente a todas as perguntas possíveis e imagináveis, esbarrou com aquela que ela julgava ser a mais fácil delas: “estado civil”. Prontamente: “divorciada”. “Que venha a próxima”, pensou, e virou a página. Qual era questão seguinte? “Por que o casamento acabou?” É mole?

Quando as companheiras de solteirice descobriram que tal pergunta era utilizada não tardaram a surgir sugestões que corroboravam a interrogação retórica proposta logo aí acima: “Eu botava logo que ele era broxa”, disse uma, vingativa. E as propostas não se desviavam muito dessa linha que tanto aborrece a categoria masculina. Minha amiga, no entanto, uma dama, apenas escreveu: “The love was over (o amor acabou)”. Mais the book is on the table impossível.

Mas o pior mesmo, mesmo, ainda estava por vir. A Avon envia para algumas solteiras da redação um brinde dos infernos: um sapo gordo enfiado numa caixa de plástico transparente. E qual era o modo de usar? Colocar água e aguardar o que sairia dali. A bolsa de apostas, que sempre rola em redações de jornal em hora como estas, começou a entrar em ação. Já estava ganhando, disparado, a opção “vibrador”. Lentamente, a água foi borbulhando, borbulhando e o sapo se dissolvendo. Uma espécie de Sapo-Seltzer.

No final do processo, surge aquela figura infame, o príncipe encantado pelo qual às vezes esperamos uma vida inteira. E ele era infinitas vezes menor do que o sapo. Moral da história: nem todo sapo vira o príncipe que merecemos. Tão vendo? Armadilhas, onde menos esperamos por elas. Obrigada, Avon, por nos lembrar.

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