Empreendedorismo

Bicicletas únicas e charmosas

Maria Escorel e Patrícia Quintella criaram a Reciclo Bikes para dar vida a magrelas de acordo com o gosto do freguês

Gabriela Viana
Gabriela Viana
Publicado em 17/11/2013 às 7:00
Igo Bione/JC Imagem
Maria Escorel e Patrícia Quintella criaram a Reciclo Bikes para dar vida a magrelas de acordo com o gosto do freguês - FOTO: Igo Bione/JC Imagem
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Patrícia Quintella, uma das duas arquitetas criadoras da Reciclo Bikes, morou por três anos na Itália, entre 2008 e 2011. Como foi para passar muito tempo fora, ela levou sua bicicleta, para não deixá-la parada. Era uma bike de trilha e, mesmo assim, ela a usava dentro de Milão. Infelizmente, foi roubada na Europa. De volta ao Brasil, sentiu uma falta imensa da bike roubada. Decidiu, então, montar uma do jeitinho que queria. Foi daí que desenvolveu a Reciclo Bikes, que já no primeiro ano exibiu, até último dia 8, modelos comprados pelos clientes numa mostra no Paço Alfândega, Bairro do Recife.

A outra arquiteta, que completa a dupla à frente da empresa, chama-se Maria Escorel. Ela se juntou a Patrícia para fazer o a bike da amiga. Em seguida, Maria também quis montar uma só dela. As duas foram comprando as peças aos poucos. O processo de produção demorou um ano. Depois das magrelas prontas, os amigos adoraram o que viram, tanto que logo surgiram encomendas de pessoas queridas e, também, de desconhecidos. Virou uma atividade profissional. Hoje, as duas fazem os projetos e compram as peças para montar as magrelas. Não põem as mãos no pesado. A montagem e a pintura são terceirizadas. “Para manter a qualidade dos serviços”, conta Maria. 

“Nós só chegamos a botar a mão na massa em três: a de Pat, a minha e a de uma amiga, que foi nossa primeira encomenda. A demanda cresceu tanto e tão rápido que logo tivemos que buscar ajuda para dar conta do recado”, diz Maria. Ela lembra que sempre sonhou em trabalhar com algo que desse prazer. Já Pat nunca pensou em trabalhar com algo diferente de arquitetura, apesar de amar bicicleta desde sempre. Para felicidade das duas, a Reciclo surgiu para unir o útil ao agradável. 

“A Reciclo Bikes surgiu de forma bem natural. Não tínhamos a pretensão de entrar para o comércio, tanto é que fazemos dela uma atividade complementar”, explica Patrícia. Mas como é divertido, a dupla trabalha de domingo a domingo, produz três bikes por semana e não para nem quando está na mesa de bar. Lá, fecham negócios através de mensagens eletrônicas em meio a conversa entre amigos. O preço varia de acordo com as peças desejadas pelos clientes. 

Sem uma oficina para chamar delas, Maria e Patrícia têm planos de montar, em dezembro, um Showroom no coworking Impact Hub Recife, na Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife, que servirá de sede da Reciclo. “Terá bicicletário e até banheiro para os ciclistas que forem ao escritório poderem tomar uma ducha”, prevê Patrícia.

Feliz com o que faz, ela diz que nem se sente trabalhando. “Pedalo com clientes, crio novas amizades. Antes, eu não tinha muito contato com as pessoas. Era só no escritório”, conta. E quem vai para ela com o argumento de que o interesse das pessoas por bicicleta não passa de moda, Patrícia contra-argumenta: “A tendência pelo mundo afora é voltar para as ruas. Redescobrir a cidade. Não dá mais para ficar presa no trânsito, fechada no carro. É uma revolução global. O resultado virá a longo prazo”.

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