cinema

Divertida Mente leva adultos e crianças à reflexão

De forma lúdica, animação americana aborda o funcionamento da mente humana

Amanda Tavares
Amanda Tavares
Publicado em 15/08/2015 às 14:53
Diego Nigro/JC Imagem
De forma lúdica, animação americana aborda o funcionamento da mente humana - FOTO: Diego Nigro/JC Imagem
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Há algumas semanas, o professor Paulo Alexandre Filho, 40 anos, presenteou o filho Hélio, 4, com o livro do filme Divertida Mente (EUA, 2015). Os personagens em forma de bonecos que vieram como brindes passaram a figurar entre os brinquedos preferidos do garoto. Quando pai e mãe resolveram, então, levar Hélio para assistir ao longa-metragem, foram surpreendidos. O menino, afirma Paulo, possivelmente não entendeu toda a trama, apesar de mostrar euforia ao ver no telão a Alegria, a Tristeza, O Nojinho, o Medo e a Raiva, sentimentos que se revezam na mente da personagem principal, Riley. O pais, no entanto, saíram encantados. E, da porta de saída do cinema às conversas em casa no dia seguinte, o assunto era o mesmo: a forma como o roteiro conduz o espectador a uma autorreflexão sobre os sentimentos. 

“Sempre me considerei frio em relação a filmes. Assisto a muitos, mas raramente me sensibilizo. No entanto Divertida Mente chamou a minha atenção de uma maneira especial. Fui induzido a refletir sobre as contradições dos meus sentimentos. Quem arquitetou o filme pensou nos mínimos detalhes. De uma forma lúdica, o enredo mexe com coisas complexas que acontecem no nosso dia a dia, mas normalmente não paramos para pensar”, resume Paulo. A história que gira em torno da vida da garota Riley e sua família, apesar de ter sido “vendida” como um filme infantil, ganhou mesmo foi a simpatia dos adultos. 

Riley mora com os pais no estado de Minnesota. Conta com o amor da família, se dá bem com os amigos da escola e leva uma vida tranquila, onde o sentimento predominante é a alegria. Tudo se transforma, porém, quando a família precisa mudar de endereço. A menina não se acostuma com a nova rotina, em San Francisco, e então tem que aprender a lidar com os sentimentos de tristeza, medo, raiva e nojinho, que passam a oscilar na sua mente.

O motivo que levou a secretária Cristiane Gomes a ir ao cinema foi o mesmo de Paulo Alexandre: levar a filha para assistir ao filme tão propagado entre as crianças nas últimas férias de julho. A sensação ao sair também foi semelhante. “Saí encantada, refletindo sobre como é importante saber lidar com os sentimentos. E viver cada um deles. Inclusive aqueles considerados ‘ruins’, como a tristeza e a raiva. Lembrei muito de uma situação que vivi recentemente. Tive um problema de saúde e passei um mês sem andar. Aquilo me deixou triste e com raiva. Depois, já recuperada, vi como foi importante deixar fluir aquelas emoções, que me fizeram refletir sobre a vida”, avalia. “O problema era as pessoas ao meu redor entenderem. Porque sou muito alegre. E quando algo não está bem quem está por perto de mim logo percebe. Além disso, há uma cobrança da sociedade para que vivamos sempre a alegria”, afirma.

O psicólogo Sylvio Ferreira explica que é absolutamente normal existir oscilação de sentimentos. “A mente humana é construída em cima de oposições e contradições. Não há nada em termos de sentimentos que não tenha uma contrapartida. Por exemplo uma ideia de maldade/bondade, amor/ódio. É como se a mente fosse um equipamento que funcionasse de forma binária”, esclarece. 

O especialista ressalta, ainda, a importância de deixar fluir sensações como a tristeza, negligenciada por muita gente. “Se alguém perde um emprego ou um ente querido, termina um relacionamento, é importante viver essa tristeza. O luto tem começo, meio e fim. E, para que chegue ao fim, é importante que seja aberto. É normal que hajam ligeiras variações e flutuações de sentimentos na nossa vida, não a prevalência de uma sensação sobre a outra, esclarece. “Mas existem situações em que é fundamental extravasar. Sobretudo quando os sentimentos nos sufocam. Precisamos e temos necessidade de compartilhá-los”, salienta.

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