Indústria marítima

Vendas continuam aquecidas, diz trade

Agências já esgotaram pacotes para algumas saídas de navios para o Carnaval e continuam recebendo pedidos. Medo de viajantes é maior com acidente de avião, destacam profissionais

Janaína Lima
Janaína Lima
Publicado em 19/01/2012 às 12:57
Igo Bione/JC Imagem
Agências já esgotaram pacotes para algumas saídas de navios para o Carnaval e continuam recebendo pedidos. Medo de viajantes é maior com acidente de avião, destacam profissionais - FOTO: Igo Bione/JC Imagem
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É unânime, por enquanto, a opinião dos agentes de viagens sobre o possível impacto do naufrágio do Costa Concordia na indústria de cruzeiros. A maioria deles acredita que o acontecimento fortuito não afetará negativamente a venda de pacotes e nem mesmo causará pânico para quem está com viagem de navio marcada para breve. “Desde o acidente, não tivemos solicitações de cancelamento por parte de quem já havia comprado pacotes de cruzeiros”, diz a consultora de viagens Natália Oliveira, da agência Luck. “Mas é claro que os clientes acabam comentando o ocorrido. E todos estão cientes de que foi erro do capitão do Concordia.”

Segundo Natália, no início da semana, houve uma boa procura pela saída do mês de Carnaval do Allure of the Seas, da Royal Caribbean. Pela Luck, no entanto, não há mais disponibilidade para a rota que sai do Recife em 5 de fevereiro. E para a saída do Domingo de Carnaval (19/2), só restam três cabines duplas. “Esse interesse mostra que os viajantes não estão deixando de procurar as viagens de navio por causa do desastre”, frisa a consultora.

É o caso da advogada Tatiana Valente, 32 anos, que não desistiu de curtir a folia a bordo do Allure – que ganhou até o apelido de navio do oxente devido à quantidade de pernambucanos que embarcam no cruzeiro rumo ao Caribe. “Fechei o pacote em junho de 2011 e, quando vi o acidente do Concordia pela TV, logo me lembrei de que farei uma viagem de navio com meu marido e minha filha de 10 anos. Mas claro que não vamos voltar atrás”, conta Tatiana, que está ansiosa para fazer o primeiro passeio em alto-mar.

“Sabemos que o acidente foi uma fatalidade. Por isso, não bate medo. Pelo contrário: estamos contando os dias para o embarque. Queremos curtir cada instante”, completa a advogada. De fato, o naufrágio do transatlântico italiano foi um acontecimento desastroso, embora raro, principalmente se for considerado o número de pessoas que anualmente viajam em navios.

Chegamos há uma semana de uma viagem de navio. Foi a primeira experiência em cruzeiro, ficamos nove dias em alto-mar e foi tudo ótimo. Não tivemos receio de acidentes. Só ficamos com medo de enjoar, o que realmente ocorreu nos primeiros dias. Mas tudo fic

A Associação Internacional de Rotas Cruzeiros (Clia, na sigla em inglês) revela que, em 2011, cerca de 16 milhões de pessoas viajaram nos transatlânticos das empresas filiadas à organização, que reúne 26 companhias, incluindo a Costa. Em comunicado sobre o navio naufragado, a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar) deixa claro que se trata de um caso isolado e raro.

E essa posição é compartilhada com a Clia, que reforça a questão em declaração aberta ao público: “Acidentes como esses são extremamente raros na indústria de cruzeiros e não interferem no fato de que os navios continuam a ser um dos mais seguros meios de transporte”. A diretora da agência de turismo SW, Sylvia Wolfenson, percebe exatamente o sentimento que tem sido repassado pelas entidades do setor. “Não é como num desastre de avião, que deixa todos os clientes assustados, ligando para agência com o intuito de saber o que está acontecendo com o mercado de aviação”, salienta Sylvia.

O fato de a causa do acidente não estar relacionado a falhas técnicas (pelo menos, até agora), deixa os turistas tranquilos. “Claro que há curiosidade em torno do caso, mas as pessoas não procuram a gente para especular, e sim para fechar reservas”, continua a diretora da SW.

Em comunicado, o presidente mundial da Costa, Gianni Onorato, admite que a companhia ainda não está em condições de dar resposta a tudo. “Estamos em colaboração com as autoridades competentes para tentar perceber as razões do acidente.” Por enquanto, o capitão Francesco Schettino fica em prisão domiciliar. A decisão foi tomada por juíza do Tribunal de Grosseto, que diz ter fortes indícios de que ele é culpado pelo naufrágio.

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