França gastronômica

Lyon é para marcar o paladar

Nosso repórter não esquece o miolo de boi que comeu na cidade

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 25/10/2012 às 8:11
Acervo pessoal
Nosso repórter não esquece o miolo de boi que comeu na cidade - FOTO: Acervo pessoal
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Este ano, meu aniversário caiu no meio das férias. Com um grupo de amigos, alguns chefs, outros jornalistas, todos mais interessados em pratos e taças que em monumentos e paisagens, cruzamos a França gastronômica por um mês. Coincidência dos deuses das caçarolas, no dia exato da comemoração, estávamos em Lyon. Um abril lindo, embora meio frio. Meio frio e inesquecivelmente saboroso.

Que me perdoe o País Basco e outros destinos recentemente cobiçados pelos gourmets. Mas Lyon é clássico dos clássicos. Dos 26 restaurantes estrelados na França, seis estão na cidade. São mais de 1500 lugares para se comer. Além dos mercados inadiáveis, como o Les Halles de Paul Bocuse, um lugar onde se comem todas as especialidades francesas.

Inclusive os ouriços para bravos e as ostras que, ao lado de um branco geladinho, fazem poesia na boca. Nunca vi – nem imaginei existir - tantas ostras diferentes no mesmo lugar. Aqui, aliás, é a terra de Bocuse. O papa da nouvelle cuisine tem cinco casas na cidade. E os preços, no geral, são sempre mais cômodos que em Paris.

Mas nem foi numa casa estreladaça que tive a grande fenda na memória do meu paladar aberta em Lyon. Quanse nunca visitados pelos gringos, os restaurantes tradicionais, segredos dos moradores, são chamados de bouchons. Resataurantes de bairro, tão incrustrados que poderiam ter o cardápio talhado na parede. Neles, a rica e campesina cozinha lyonesa se exibe bravamente: tripas, vísceras, miolo de bezerro....

A mesa cheia, quase vinte pessoas, amigos brasileiros e franceses: não vou esquecer o grande banquete que tivemos ao meio dia. Entre outras, a pièce de resistance era uma grande bandeja de miolo de boi ao vinho e alho. Crocante por fora, a película caramelizadase rompendo-se e revelando o interior de uma maciez quase líquida. Com maionse caseira. Taí uma coisa que não me deixa esquecer de Lyon.

Leia mais sobre Lyon na reportagem de Luísa Ferreira na  edição de hoje do caderno de Turismo do Jornal do Commercio

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