PESQUISA

Diretor do Cern reclama da lentidão do Brasil

Rolf Heuer disse que o centro europeu está pronto para aceitar o País na sua rede de pesquisa, mas as autoridades "não se movem"

Jacques Waller
Jacques Waller
Publicado em 05/07/2012 às 10:37
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“Vocês são muito lentos.” A cobrança é do diretor-geral do Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear (Cern), Rolf Heuer, ao ser questionado pela reportagem quando é que o Brasil concluiria sua adesão ao principal centro de pesquisas físicas do mundo. “Não consigo entender o que ocorre com o Brasil. Nós estamos prontos para aceitar o País. Mas são eles (autoridades) que não se movem”, insistiu Heuer.

Em 2010, o Brasil assinou uma carta de intenções que deu início formal ao processo de adesão do País ao Cern, responsável pelo LHC, o maior acelerador de partículas do mundo. O Cern estipulou que o Brasil terá de pagar uma contribuição anual de US$ 10 milhões, 10% do dinheiro pago por um membro europeu e uma gota d’água em comparação aos investimentos em pesquisa realizados pelo centro.

Heuer alertou que, se o Brasil não integrar o Cern, empresas brasileiras não poderão participar da licitação que o centro abrirá para a compra de tecnologia e peças para a atualização milionária do LHC, que ocorrerá nos próximos anos.

Segundo Ronald Shellard, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), um documento descrevendo o estado da ciência brasileira já foi enviado ao Cern - um passo protocolar nas negociações. Após receber esse documento, uma equipe do Cern virá ao Brasil, e só então um projeto político de adesão oficial poderá ser encaminhado ao Congresso.

A adesão do Brasil, porém, é de forte interesse do centro de pesquisas. Com a crise na Europa e a pressão orçamentária, o Cern busca novas fontes de renda e quer ampliar sua cooperação. No centro, funcionários lembram que, com o custo da Copa do Mundo, o Brasil pagaria sua participação no Cern por várias décadas.

A ausência do governo, porém, não significa a ausência de brasileiros no projeto. Além do envolvimento pontual de algumas universidades nacionais, alguns brasileiros trabalham em Genebra no experimento, mas são funcionários de centros de pesquisa ou laboratórios estrangeiros. Um deles é Denis Damazio, pesquisador carioca que trabalha para a americana BNL e teve nos últimos meses uma participação fundamental no processo de seleção de dados. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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