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Favel@s se rendem à internet

Cresce o número de pessoas que acessa internet em comunidades do Recife

Diogo Menezes
Diogo Menezes
Publicado em 06/11/2013 às 8:56
Igo Bione/JC Imagem
Cresce o número de pessoas que acessa internet em comunidades do Recife - Igo Bione/JC Imagem
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O operador de telemarketing João Severino da Silva Júnior, 23 anos, ganhou tudo o que precisava para se manter conectado à rede em casa. Ele, que mora na Vila Santa Luzia, na Torre, se encaixa direitinho no perfil dos jovens representados pela pesquisa do Instituto Data Popular. O órgão revelou recentemente que metade das casas de comunidades de baixa renda do País já dispõe de internet em casa. Júnior diz que usa a web para ver filmes no YouTube, jogar, acessar redes sociais e pagar contas. “Ah, como meus velhos não sabem usar, também os ajudo. Sempre mostro alguma novidade que tá no ar ou os auxilio a descobrir lugares para onde desejam ir.” A verdade é que a vida ficou um bocadinho mais fácil para família Silva. “Até consigo falar com meus parentes na Bahia. Meu filho liga a câmera pra mim e eu converso com eles daqui”, conta rindo, a mãe de Júnior, a dona de casa Maria Dalva, 62 anos.

Na comunidade de baixa renda Vila de Santa Luzia, no bairro da Torre, a família do técnico em automação Badiel Santana, 31 anos, só conseguiu colocar internet em casa há pouco mais de um ano. “Era difícil o acesso aos serviços das companhias de internet por aqui”, conta o patriarca. Hoje, entretanto, a vida está mais conectada. O computador ganhou um cantinho projetado em meio à sala de jantar. É um PC tradicional com tela LCD, objeto de várias funções dentro de um só teto. Pai, mãe, filho e filha, a família divide o espaço e o tempo na frente da telinha.

O exemplo ratifica a tendência apresentada recentemente pela pesquisa do Instituto Data Popular – feita em 63 comunidades pobres do Brasil, onde foram entrevistadas pessoas com mais de 16 anos. O projeto, batizado de Data Favela, é uma iniciativa do Data Popular em parceria com a Central Única de Favelas.

A verdade é que, com o acesso à internet em casa, enquanto Badiel garante que pode ser um profissional bem mais eficaz, o primogênito, Jonatha Luiz, 14, pode (além de jogar e dar uma fuçada no Facebook) realizar pesquisas para a escola.

“Antes disso, eu falava com os clientes por telefone ou através da net da empresa. Mas agora a comunicação é mais fácil. O retorno também é mais rápido”, garante o técnico. O filho, por outro lado, “tem que estar bem na escola para usufruir da web”, explica o pai. E a caçula da família, Beatriz, 4, avisa logo: “Gosto dos jogos da Moranguinho e da Barbie”. Já a matriarca Janaina Pereira, 33, usa o computador para dar uma olhada nas redes sociais. “E como trabalho muito, nem sempre sobra tempo pra ver as notícias na TV. Aí, entro na net e me atualizo sobre o que está acontecendo”, conta.

A situação da família de Badiel exemplifica, mais uma vez, o que revela a pesquisa do Data Popular. De acordo com o levantamento, 85% dos usuários de comunidades de baixa renda estão no Facebook. Outro dado que também se encaixa na realidade das comunidades é o de que essas conexões são divididas entre um e quatro usuários.

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