PESQUISA

Químicos da UFPE se inspiram em Nobel

Método QM/MM, desenvolvido pelos premiados Karplus, Levitt e Warshel, é base de estudos de doutorandos para o combate à dengue e à doença de Alzheimer

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 06/11/2013 às 14:22
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Uma possível cura para a dengue e para a doença de Alzheimer não fermenta em um tubo de ensaio, mas sim no silício de supercomputadores. Duas pesquisas do Departamento de Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão utilizando supercomputação para simular o comportamento de enzimas relacionadas a essas duas doenças.

Segundo o coordenador do Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em Pernambuco (Cenapad-PE), Gustavo Seabra, os doutorandos Maria Carolina Pacheco Lima e Carlos Henrique Bezerra da Cruz estão usando pela primeira vez em Pernambuco o método desenvolvido pelos ganhadores do Nobel de Química deste ano, Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel: o QM/MM, sigla em inglês para mecânica quântica/mecânica molecular.

Seabra, que orienta os dois pesquisadores, conta que os trabalhos estão em fase de conclusão. Entre o fim deste ano e o meio do ano que vem, os dois apresentarão o resultado de suas pesquisas. Ambos utilizam o método para descobrir o comportamento de enzimas ligadas às doenças citadas. No caso da dengue, é a enzima que permite a reprodução do vírus. “Entendendo como ela se comporta, é possível criar medicamentos para curar a dengue, em vez de só combater seus sintomas”, diz. Já no caso de Alzheimer, a pesquisa visa entender que moléculas ativam a IDE, a enzima que degrada a insulina e que elimina o excesso do aminoácido amyloid-b no cérebro, uma das causas da doença.

Mas entender como essas substâncias se comportam não é nem um pouco simples. Como as reações químicas extremamente complexas desses elementos ocorre em escala subatômica, só utilizando o peculiar mundo da física quântica para compreender o que está acontecendo. “O problema é que calcular essas interações requer muito poder computacional. Prever o comportamento de uma única molécula já é muito caro. E uma enzima pode ter centenas de milhares de moléculas”, diz Seabra.

Leia a matéria completa na edição de hoje (6/11) do caderno Tecnologia

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