Estamos vulneráveis

Publicado em 14/06/2013 às 10:00
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A morte estúpida de Davi Lima Santiago Filho no Recife não me sai da cabeça, assim como a de um menino de apenas 12 anos no Cabo, ocorrida em abril. Davi foi vítima de um fio desencapado. A criança, de uma descarga elétrica ao se encostar no poste no meio de uma praça. Não foram acidentes provocados pelo acaso, mas negligência pura. Como esse assunto pode parar aqui? É simples, esses casos envolvem o Estado, que privatizou o serviço de fornecimento de energia elétrica e não fiscaliza adequadamente as concessionárias de um serviço que é, essencialmente, público. No final da década de 90, o ex-governador Miguel Arraes conseguiu um feito histórico: eletrificou todo o Estado. Ao final do mandato, deu o aval para a venda da Celpe, só concretizada na gestão seguinte: a do ex-governador Jarbas Vasconcelos. Um processo que foi conduzido pelo então vice-governador Mendonça Filho. O sistema se modernizou, ficou mais caro e sem concorrência. Resultado: inúmeros problemas. A Celpe é uma das empresas campeãs de queixas do consumidor e, ao longo das gestões de Eduardo Campos, só piorou. A agência estatal de regulação, a Arpe, não foi devidamente preparada, transformou-se em um cabide de emprego. Ninguém pode apontar o dedo um para o outro. No ano passado, para a Aneel, foram 31 mortes causadas por problemas na rede elétrica em PE. E, nós, cidadãos, ficamos totalmente vulneráveis às consequências de decisões políticas.

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