O Ocupe e a política

Publicado em 08/06/2014 às 10:08
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A repercussão do movimento Ocupe Estelita levou o debate sobre desenvolvimento urbano sustentável para a agenda política nacional. A Rede, de Marina Silva, defende o processo de resistência que tem levado cidadãos de todas as idades e classes a protestar contra o Novo Recife. Um projeto que prevê a demolição dos armazéns do Cais José Estelita, no Centro do Recife, para a construção de 12 torres residenciais e comerciais. Em função da reação dos moradores, que ocupam o terreno, manifestam-se nas redes sociais e dialogam com a prefeitura, a demolição foi suspensa e o projeto será revisto. No manifesto, a Rede incomoda o PSB, com quem se aliou, ao desafiar o prefeito Geraldo Julio a “construir, na prática, uma nova política”. Um conceito que entrou no discurso do PSB, na fase de pré-campanha, para que pudesse se contrapor às siglas que defendem antigas práticas, como se os socialistas não estivessem juntos aos tradicionais caciques e não precisassem deles na eleição. No caso do Novo Recife, o PSB foi ator central por ter feito parte do governo do prefeito João da Costa (PT), que deu aval para tirá-lo do papel em dezembro de 2012, no apagar das luzes de sua gestão para poupar Geraldo de qualquer desgaste. O que foi em vão. O ativismo do Ocupe Estelita nos deixa duas lições. Uma é que política é o exercício da cidadania, da vida na pólis. A prática política não está restrita aos partidos e aos gabinetes dos Poderes Legislativo e do Executivo. A outra é que essa mobilização desperta na sociedade a importância de se unir para resolver os problemas coletivos. Que o Ocupe Estelita se estenda a outros espaços públicos que precisam ser repensados.

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