Cientista político defende acordão entre instituições para 'salvar o País'

Publicado em 17/05/2017 às 21:10
Michel Temer (PMDB). Foto: Lula Marques/Agência PT
FOTO: Michel Temer (PMDB). Foto: Lula Marques/Agência PT
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Michel Temer (PMDB). Foto: Lula Marques/Agência PT O cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Adriano Oliveira, comentou os últimos fatos envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) e afirmou que a única saída do Brasil é a realização de um acordão. Acompanhe, abaixo, a entrevista. Qual os próximos passos diante das mais recentes denúncias? Venho, desde o ano passado, que o Brasil precisa de um acordão. Isso não significa que eu torço pelo acordão. Estou apenas mostrando que a Lava Jato e as delações são tão amplas que o sistema político brasileiro está tão contaminado que a quantidade de atores envolvidos requerer um acordão. Se não, vamos ter o fim do poço, o Brasil já chegou ao precipício, já está próximo, mas vai passar dele se a operação Lava Jato ou as delações premiadas continuarem nesse ritmo. Vejo que diante dessas novas denúncias aceitar esse acordão. O acordão significa a presença da estabilidade para que o Brasil possa superar a crise política e econômica De maneira prática, como se daria esse acordão? Ele pode surgir a partir de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). As delações que não foram homologadas pelo STF e foram vazadas elas seriam suspensas, anuladas. Esse é o ponto que deve ser dito. Estou dizendo isso com todo o realismo e pragmatismo com que faço minhas análises da política brasileira. Vamos partir do princípio que o acordão exista e não poupe Lula (PT). Aí, você vê o fim da Lava Jato. A Lava Jato acaba no momento em que se tem uma diversidade de atores acusados de corrupção, delatados, e se parte do princípio que o sujeito ativo da grande corrupção brasileira é o ex-presidente Lula. Se o acordão existir e Lula for punido, você estará diante de uma grande vítima, de um perseguido político. Essa é minha interpretação da opinião pública.
Lula nunca foi gravado, ninguém viu alguém entregando dinheiro a Lula e você tem o presidente da República e o principal opositor do ex-presidente, que é Aécio Neves, com provas cabais de que receberam dinheiro Adriano Oliveira
Existe a acusação de que o cara que entregou o dinheiro ao Aécio Neves (PSDB-MG) foi filmado. Veja que prova concreta... prova muito maior do que está sendo apresentada contra Lula é essa. Lula nunca foi gravado, ninguém viu alguém entregando dinheiro a Lula e você tem o presidente da República e o principal opositor do ex-presidente, que é Aécio Neves, com provas cabais de que receberam dinheiro. Então, as instituições brasileiras, em particular o Ministério Público Federal e o Supremo, estão em uma grande encruzilhada. E não sabem o que fazer. Se tiver o acordão e tiver a punição do Lula ele passa a ser mártir e vitimizado. Se tiver o acórdão e poupar Lula, essa é a melhor estratégia, você zera o jogo. E se não tiver o acordão você joga o Brasil no precipício. Mas esse acórdão seria deixar Temer governar e ter eleição apenas ano que vem? É o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar os direitos da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas não cassar o de Temer e deixá-lo na presidência, alegando que ele era vice-presidente e não tinha conhecimento dos atos lá postos. É uma saída engenhosa, mas é uma saída. Em segundo lugar, a anulação das delações que não foram homologadas, inclusive as que citam o ex-presidente Lula. A saída jurídica está dada, está posta. Chegamos ao fundo do poço. Eu esperava isso. Sei que é uma tese polêmica, já me criticaram, mas eu penso para encontrar uma solução e não para falar o óbvio. A solução é ou faz um acordão ou quebra, mas esse acordão passa por Lula. Lula não deve ser descartado.

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