FHC defende eleições antecipadas e diz que seria gesto de grandeza de Temer

Publicado em 15/06/2017 às 17:56
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foto: Wilson Dias/Agência Brasi
FOTO: Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foto: Wilson Dias/Agência Brasi
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Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foto: Wilson Dias/Agência Brasi   Em uma carta enviada ao jornal O Globo e à Agência Lupa, da Piauí, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defende eleições antecipadas e diz que seria um gesto de grandeza do presidente Michel Temer (PMDB). No texto, o tucano afirma que não houve "golpe" no País, mas argumenta que falta legitimidade a Temer.  
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  O PSDB nunca defendeu a antecipação das eleições, uma bandeira lançada inicialmente pelo PT. E que depois teve adesão de outros partidos, entre eles o PSB.   Confira a íntegra da carta de FHC: “A conjuntura política do Brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção também. Se eu me pusesse na posição de presidente e olhasse em volta reconheceria que estamos vivendo uma quase anomia. Falta o que os políticólogos chamam de ‘legitimidade’, ou seja, reconhecendo que a autoridade é legítima consentir em obedecer. A ordem vigente é legal e constitucional (dai o ter mencionado como "golpe" uma antecipação eleitoral) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto.  
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  É diante desta perspectiva que os partidos, pensando no Brasil, nas suas chances econômicas e nos 14 milhões de desempregados, devem decidir o que fazer. A chance e a cautela a que me refiro derivam de minha percepção da gravidade da situação. Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido. A responsabilidade maior é a do Presidente que decidirá se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país. Se tudo continuar como está com a desconstrução continua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo. Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular. É este o sentimento que motiva minhas tentativas de entender o que acontece e de agir apropriadamente, embora nem sempre no calor dos embates diários e de declarações dadas às pressas tenha sido claro nem sem hesitações.”

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