Às vésperas de julgamento de Lula, manifesto de pernambucanos defende a Lava Jato

Giovanni Sandes
Giovanni Sandes
Publicado em 19/01/2018 às 14:27
Operação da Polícia Federal na Odebrecht, na 23ª fase da Lava Jato. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
FOTO: Operação da Polícia Federal na Odebrecht, na 23ª fase da Lava Jato. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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[caption id="attachment_15415" align="aligncenter" width="748"]"" Operação da Polícia Federal na Odebrecht, na 23ª fase da Lava Jato. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil[/caption] O movimento pernambucano Ética e Democracia, que reúne professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), economistas e advogados, divulgou nesta sexta (19) um manifesto em defesa da Lava Jato. A publicação do texto ocorre às vésperas do julgamento do ex-presidente Lula (PT), na próxima quarta (24). O texto não menciona diretamente o petista, mas questiona a "campanha de mistificação" do PT e diz que "outros ilustres, do PMDB e do PSDB, virão em breve a ser bola da vez". "Portanto, não era 'só o PT'", afirma o manifesto.Segue, abaixo, a íntegra do manifesto. MOVIMENTO ÉTICA E DEMOCRACIARecife-PE, Brasil. 19 01 2018Em DEFESA DA JUSTIÇA e da DEMOCRACIAÉ temerário o jogo feito pelas defesas de acusados e culpados nos grandes escândalos de corrupção que vêm sendo investigados, julgados e condenados pelas instituições brasileiras. Na impossibilidade de contestar, tecnicamente, argumentos inequívocos da Polícia Federal, dos tribunais de contas e da Procuradoria, subvertem a lógica e passam a fabricar a versão de que a Justiça está acabando com a Democracia brasileira. A História, no entanto, deverá registrar o avanço institucional representado por investigações contra poderosos, que ocorrem há algum tempo e que culminam com a Lava Jato (desde 2014). A maioria da sociedade reconhece tal avanço e apoia a Justiça. Mas desde que próceres do PT passaram a ser investigados e condenados, veio a germinar o discurso de não há provas, politização da Justiça, e agora país assaltado pelos próprios poderes da República. Tivemos prisão e condenação de José Dirceu, Marcelo Odebrecht, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral (ex-governador do Rio) e Antônio Palocci (ex-ministro da Fazenda). E outros ilustres, do PMDB e do PSDB, virão em breve a ser bola da vez. Portanto, não era só o PT outro mantra da campanha de mistificação.Há a centralidade da figura do ex-presidente Lula, agora bem próximo da primeira condenação em segunda instância. Então ficam mais nítidas e mais ousadas, na mídia, a tese de politização e a tentativa de constranger e desafiar a Justiça. Invertem-se valores democráticos: afronta-se a Justiça, alardeando-se a falsa tese de condenação sem provas para pôr o julgamento sob suspeita. Aparentemente não se trata apenas de tosca ginástica argumentativa solta no ar, tipo se colar, colou. Ora, todos os já condenados tiveram os processos transitados nas devidas instâncias, sem significativas contestações de caráter técnico. Por que tudo seria tão falho quando se trata do ex-presidente, investigado e julgado sob o mesmo padrão de transparência, e de normalidade do funcionamento das diversas instâncias judiciárias?A estratégia vem sendo adrede preparada, e teria a mão do próprio réu na organização da campanha de afronta ao Judiciário. Tática escorada no desgaste do presente governo, que, apesar de ter trazido de volta a racionalidade da política macroeconômica e significativa redução de inflação e da taxa básica de juros, faz rasa e pífia governança, e tem vários componentes investigados pela Lava Jato. Repetem-se mentiras e criam-se falsas verdades, inclusive com base em pesquisas de opinião viciadas, que incluem perguntas indutoras de respostas convenientes a tentar convencer parte da população de que a Justiça atropela a democracia. Ora, a História é prenhe de exemplos de desvios do papel constitucional da Justiça: em regimes de exceção, civis ou militares. No Brasil, como todos sabemos, há pleno funcionamento constitucional e democrático.A Justiça estaria a impedir a candidatura de um cidadão, apoiado por tanto por cento da população; portanto, suspenda-se o julgamento, porque a Justiça é suspeita, diria a voz popular. Ignora-se que estão sendo respeitados todos os direitos constitucionais de defesa e de recursos contra decisões judiciais, até que se esgote o processo. Portanto, neste caso e só neste caso, porque não tem sido assim com outros poderosos já condenados pergunte-se ao povo o que fazer; portanto, anulem-se a Justiça e anos de investigação.Conclamamos a sociedade brasileira, e outros grupos organizados da sociedade civil, a se manifestarem em defesa do pleno funcionamento das instituições, do cumprimento do calendário e da independência da Justiça no Brasil. O país avançou bastante desde a redemocratização. O trem já saiu da estação e nada será como antes, como disse um ministro do Judiciário. ASSINAM ESTE DOCUMENTO:Aécio Gomes de Matos Engenheiro e Pós-Graduado em PsicologiaAfranio Tavares da Silva Engenheiro Alcides Pires Empresário e EconomistaAna Olimpia Gurgel Psicóloga e professora IESCesar Garcia Professor aposentado da UFRPEChico de Assis Rocha Filho Advogado e PoetaClemente Rosas Ribeiro - Advogado e Procurador Federal aposentadoEdmundo Morais Advogado e Executivo de empresasFrancisco José Araújo EngenheiroFernando Baltar economista e contadorGustavo Gesteira Costa AdvogadoJoão Rego Engenheiro e ConsultorJorge Jatobá Economista, Professor aposentado da UFPEJosé Arlindo Soares SociólogoJosé Claudio de Oliveira Engenheiro e EmpresárioJosé Vasconcelos Neto AdvogadoLeonardo Guimarães Arquiteto e UrbanistaLuiz Rangel Arquiteto e UrbanistaMarcia Maria Guedes Alcoforado de Moraes Engenheira Elétrica e Professora da UFPEMirtes Cordeiro PedagogaPierre Lucena - Professor da UFPEOlímpio Barbosa de Moraes Filho Médico e Professor da UPESérgio Buarque Economista e ConsultorPlinio Augusto Duque MédicoSergio Alves Professor da UFPESilvio Ernesto Batusanschi SociólogoSocorro Araújo Pesquisadora.Tarcisio Patricio de Araujo Economista, Professor do Departamento de Economia, UFPETeógenes Leitão Engenheiro

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