Coluna Cena Política

Partidos dos prefeitos correm para filiar vereadores com mandato. Tem estratégia

A renovação nas câmaras municipais será um desafio após a nova regra eleitoral que acabou com as coligações na eleição proporcional. O que vai sobrar, em votos, para partidos com pouca estrutura?

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 11/03/2020 às 11:50
Análise
Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Partidos com maior estrutura nos municípios estão absorvendo políticos com mandato para participar da eleição e devem monopolizar votos - Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
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Igor Maciel, da coluna Cena Política

Não é um movimento aleatório.

Nos últimos dias, os partidos ligados aos prefeitos no cargo têm corrido para filiar o maior número possível de vereadores com mandato. Trata-se de uma estratégia dentro da nova regra que proíbe coligações na eleição para o Legislativo.

Aconteceu em Caruaru, em Jaboatão dos Guararapes e também no Recife. Caruaru deve chegar ao fim da janela partidária com ao menos 11 vereadores no PSDB da prefeita Raquel Lyra. Em Jaboatão, Anderson Ferreira que tinha dois vereadores no seu PL, agora conta com 17 representantes filiados. E, no Recife, o PSB vem anunciando vereadores ao longo dos últimos dias e a bancada socialista já chegou a 16 representantes.

Até antes da nova regra, ter vereadores com mandato no partido era o que atrapalhava o ingresso de novos nomes. Novato nenhum queria, em primeira eleição, ir brigar dentro do mesmo partido com candidatos que já tinham uma base eleitoral formada.

Os partidos mais fortes, como o PSB em Pernambuco, costumavam dividir os nomes mais fortes entre siglas aliadas para distribuir os votos e atrair maior volume com candidatos que não tinham chance, mas podiam fazer a chamada "cauda" e eleger um grupo maior. As coligações, montadas dessa forma, já indicavam o tamanho das bancadas que cada candidato ao Executivo poderia ter caso fosse eleito.

Para os que tinha menos estrutura, era mais vantajoso entrar num partido pequeno e participar das chamadas chapinhas com estratégias em que eram necessários menos votos para alcançar uma cadeira.

As chapinhas e os chapões devem continuar existindo, mas não será possível fazer acordos entre partidos, apenas dentro da própria sigla. Na prática, o que pode acontecer é um domínio ainda maior dos partidos grandes que conseguem atrair mais políticos com mandato.

A renovação, caso se confirme o esperado, deve ser muito pequena nas Casas Legislativa. Esse pode ser, inclusive, um dos argumentos para modificar a lei eleitoral e voltarem as coligações em 2022.

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