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Na crise do coronavírus, Bolsonaro é condutor de velocípede dirigindo um caminhão carregado com cimento

Sob pressão, Bolsonaro ainda age como se fosse um deputado de baixo clero que pode ter ideias espalhafatosas, sem ligar para os resultados ou consequências, porque sabe que ninguém vai levá-lo a sério. O problema é que ninguém ignora um presidente.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 23/03/2020 às 14:42
Análise
SERGIO LIMA/AFP
O presidente Bolsonaro - FOTO: SERGIO LIMA/AFP
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Não se brinca de gangorra com uma crise. É a primeira regra, a regra mais natural no gerenciamento de um problema. Bolsonaro resolveu ir ao parquinho e ignorar qualquer tipo de recomendação sobre isso.

Talvez, baseado no "guru” Olavo de Carvalho, que disse recentemente ser o coronavírus uma invenção e que "ninguém morreu até agora”, Bolsonaro acreditou que desse pra arriscar.

Ele colocou-se no brinquedo apostando que, se o coronavírus não vingasse, ele subiria. Caiu. As pesquisas mostram isso. A aprovação dos governadores, que lidam com a crise de forma séria e com a dureza necessária, está 20 pontos percentuais acima da do presidente.

Bolsonaro dobrou a aposta, chamou de fantasia, histeria e gripezinha. E doze mil pessoas já morreram no mundo.

Aí, Bolsonaro resolveu explicar que, na verdade, está é preocupado com a economia. E hoje amanhece com uma Medida Provisória que autorizava empresários a suspender pagamentos de funcionários por quatro meses. Sem especificar como esses trabalhadores iriam realizar algo básico para ficarem vivos até o fim do período da Medida Provisória: comer.

Bastou que alguém sensato e não disposto a bajular o chefe lesse o texto pra que esse ponto da MP fosse derrubado.

Bolsonaro ainda é um deputado de baixo clero, acostumado a chamar atenção, sem precisar arcar com as consequências, confiando que ninguém vai levá-lo a sério. O problema é que ele, hoje, assina como presidente.

Imagine se você pegasse uma criança que andava de velocípede, entregasse a ela um caminhão carregado de cimento e mandasse o garoto fazer o que quisesse. Guardadas as proporções, é isso.

E estamos vivendo os resultados dessa “aventura".

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