Coluna Cena Política

O que dificulta uma resolução é o tom que Sergio Moro usou. Dar ultimato para chefe é coisa séria

Neste momento, há um esforço de assessores e ministros da área militar para convencer Bolsonaro a recuar da intenção de demitir Valeixo ou de fazer com que Moro aceite uma alternativa, como indicar um novo chefe para a PF.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 23/04/2020 às 18:19 | Atualizado em 24/04/2020 às 8:49
Foto: Instagram/@jairmessiasbolsonaro/Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro - FOTO: Foto: Instagram/@jairmessiasbolsonaro/Reprodução

O jogo entre Sergio Moro e Bolsonaro chegou num ponto em que somente um dos dois poderá vencer. Ultimatos não aceitam explicação. Você só dá ultimatos caso esteja disposto a cumpri-los, ou corre o risco de ficar desmoralizado para sempre.

Da mesma forma, um chefe que recebe um ultimato precisa saber o recado que está dando caso aceite. Na situação atual, se Bolsonaro mantivesse, como manteve, a demissão de Valeixo e Moro não pedir demissão, o ministro da Justiça ficará desmoralizado para parte do público e para os próprios comandados.

Já Bolsonaro, caso não demitisse Valeixo para manter Moro, perderia a moral para tomar outras decisões, além de ajudar Moro a crescer muito dentro e fora do governo. Sem falar que, nessa altura, mesmo se não demitisse Valeixo, Bolsonaro já piorou a própria relação com a Polícia Federal, o que não é bom para quem tem os filhos sendo investigados.

Até a noite, havia um esforço de assessores e ministros da área militar para convencer Bolsonaro a recuar da intenção de demitir Valeixo, o que não foi posseivel, ou fazer com que Moro aceite uma alternativa, como indicar um novo chefe para a PF.

Tudo seria possível. O problema foi o ultimato.

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