Coluna Cena Política

Lockdown: um susto guardado para usar depois

O jogo semântico feito ao anunciar medidas mais duras como se fosse só quarentena, apesar de usar o efetivo da força do Estado para restringir o acesso às ruas, mostra que existe uma estratégia de preservação de autoridade em curso.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 12/05/2020 às 10:42
Análise
ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Máscaras obrigatórias e força policial para fiscalizar - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Regra básica: toda quarentena é um lockdown, mas nem todo lockdown é uma quarentena.

A diferença principal é que, no lockdown propriamente dito, há o uso da força do Estado para obrigar as pessoas a ficarem em casa.

O jogo semântico feito pelo governo ao anunciar medidas mais duras de isolamento como se fosse apenas uma quarentena, apesar de usar o efetivo da Polícia Militar e das guardas municipais para restringir o acesso de pessoas e veículos às ruas, mostra que existe uma estratégia de preservação de autoridade em curso para não comprometer o sucesso da operação e a imagem do governo.

É simples, caso se admita que é um lockdown, sem que haja força policial suficiente, base jurídica sólida e apoio popular, não haveria mais nenhuma alternativa posterior para ser adotada.

É preciso guardar algo no estoque de medidas, caso a população continue desrespeitando.

No fundo, apesar de a medida atual já ser um lockdown, Paulo Câmara e Geraldo Julio ainda têm esperanças de que o ministro da Saúde oriente o fechamento total e o Exército possa dar apoio.


Na prática das medidas nada mudaria, mas haveria ainda um último nome assustador pra anunciar depois e ver se resolve.

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