Mortes e mais mortes

Paz em reunião é bom, mas pouco para a quantidade de mortos e para o desgoverno a que somos impostos

A nação está dividida entre gestores que não fazem nada, gestores que tem medo de fazer algo e gestores que fazem as coisas pela metade para tentar agradar todo mundo. Isso é desgoverno.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 22/05/2020 às 9:56
Análise
EVARISTO SA/AFP
O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com governadores na manhã desta quinta-feira (21/05) - FOTO: EVARISTO SA/AFP
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Em 24h o Brasil registrou 1.188 mortes por covid-19. Ao todo já morreram 20.047 pessoas desde o início da pandemia. E o País não tem um plano. O País não tem um protocolo sério, condizente com a gravidade da situação e apoiado em evidências científicas. A verdade é que o Brasil conta com a sorte e com Deus, enquanto aqui nós comemoramos abobalhados o fato de ter acontecido uma reunião do presidente com os governadores sem que um boletim de ocorrência precisasse ser lavrado em seguida.

A nação está dividida entre gestores que não fazem nada, gestores que tem medo de fazer algo e gestores que fazem as coisas pela metade para tentar agradar todo mundo. Isso é desgoverno. E está ficando cansativo viver desgovernado.

Toda sociedade sempre se equilibra dentro de um paradoxo entre liberdade e segurança. Cada indivíduo ou grupo social cede um pouco da liberdade em troca de segurança pessoal e coletiva.

Quando seres humanos que vivem em sociedade são privados de liberdade e confrontados diariamente pela insegurança desses números, o caos é um destino certo e terrível.

Qual o plano? Qual o prazo? Quais as medidas?

É inconcebível que pessoas adultas vivendo num ambiente adulto não consigam ir além de um “aperto de mãos” tímido ao invés de arregaçarem as mangas juntos no meio de um desafio tão sério. A paz na reunião com os governadores é ótima notícia, mas não resolve um problema num país que nem ministro da Saúde tem, oficialmente.

A crítica é para Bolsonaro que tem agido de forma infantil. É para governadores, como Doria (SP), que não tem a coragem de agir impondo uma quarentena radical e definitiva com planejamento para o retorno às atividades. Vale ainda para gestores como Paulo Câmara (PE) e Flávio Dino (MA), em cujos Estados a quarentena até foi decretada, mas não se consegue o cumprimento.

É tudo “para inglês ver”, com resultados tímidos até agora e um número de mortes que só não é pior do que a disposição do responsáveis para se esconder.

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