Confusão cronológica

A Polícia Federal, a Prefeitura do Recife e o calendário Gregoriano

Depois da prova de ingenuidade milionária dos gestores que compraram respiradores testados em porcos a uma empresa que vendia colchões, agora nota-se a dificuldade que os funcionários municipais têm com datas.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 17/06/2020 às 9:16
Análise
Tomaz Silva / Agência Brasil
Datas não batem - FOTO: Tomaz Silva / Agência Brasil
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A Polícia Federal não apontou, até o momento, para a participação ativa de agentes da Prefeitura do Recife nas irregularidades investigadas após mais uma operação sobre compras feitas durante a pandemia.

Mas depois da prova de ingenuidade milionária dos gestores que compraram respiradores testados em porcos a uma empresa que vendia colchões, agora nota-se a dificuldade que os funcionários municipais têm com o calendário gregoriano.

É que dentro das 12 dispensas de licitação investigadas pela PF nos contratos com a empresa FBS Saúde Brasil, sete tem a ver com datas desencontradas. Na prática, a maioria é o típico “carro indo na frente do boi”.

Por exemplo, há casos em que a proposta é encaminhada antes e só depois é assinado o termo de dispensa.

Em outro caso, na compra de luvas de látex no valor de R$ 6,3 milhões, a empresa foi apontada como vencedora ainda no dia 16/03, mas a proposta da empresa só foi apresentada no dia 17/03. Alguém na prefeitura sabia que eles iam ganhar, antes de a proposta ser apresentada?

Há um problema com os calendários da prefeitura. Ou há videntes trabalhando na gestão. São algumas das possibilidades.

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